Homilia do papa Francisco: Deus nos espera e abre uma porta que nós não vemos

Na Casa Santa Marta, o pontífice destaca: do pobre Lázaro nós sabemos o nome, mas do rico vestido de púrpura não

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Redacao | 709 visitas

O homem que confia em si mesmo, nas próprias riquezas e nas ideologias está destinado à infelicidade. Mas quem confia em Jesus Cristo dá frutos, mesmo no tempo da carestia. Esta é a ideia que o Santo Padre desenvolveu na manhã de hoje, em sua homilia durante a missa celebrada na Casa Santa Marta.

"Maldito o homem que confia no homem" e "o homem que confia em si mesmo": ele será como "um arbusto no deserto", condenado pela seca a permanecer sem frutos e morrer. A partir da primeira leitura, o papa Francisco recordou, porém, que é "bendito o homem que confia no Senhor", porque "ele é como uma árvore plantada junto a um riacho", que, em tempo de seca, "não deixa de produzir frutos". O papa afirmou que "somente no Senhor está segura a nossa confiança. Outras confianças de nada nos servem, não nos salvam, não nos dão vida, não nos dão alegria".

Ele reconheceu, no entanto, que nós "gostamos de confiar em nós mesmos, de confiar em tal amigo ou em tal situação boa que eu tenho ou em tal ideologia". Nesses casos, "nosso Senhor é deixado um pouco de lado". O pontífice recordou que o homem, ao agir assim, se fecha em si mesmo, "sem horizontes, sem portas abertas, sem janelas", e, deste modo, "ele não terá salvação, não pode salvar a si mesmo". O papa explicou que é isto o que acontece com o rico do Evangelho: "ele tinha tudo, usava roupas de púrpura, comia grandes banquetes todos os dias". Estava muito contente, mas não se dava conta de que, na porta da sua própria casa, coberto de chagas, havia um pobre. O papa destaca que o Evangelho diz o nome do pobre: ele se chamava Lázaro. Já o rico não tem nome.

Francisco afirmou que “esta é a maior maldição de quem confia em si mesmo ou nas forças e possibilidades dos homens, mas não em Deus: perder o próprio nome. Como você se chama? Conta bancária número tal, na agência tal. Como você se chama? Tantas propriedades, tantos palácios, tantas... Como você se chama? As coisas que nós temos, os ídolos”, não são o nosso nome.

O pontífice destacou que todos nós temos a fraqueza de basear as nossas esperanças em nós mesmos, ou em amigos, ou em possibilidades meramente humanas, esquecendo-nos de nosso Senhor. E isto nos leva ao caminho da infelicidade.

Francisco explicou: "Hoje, neste dia de quaresma, nos fará bem perguntar a nós mesmos: onde está a minha confiança? No Senhor? Ou eu sou um pagão que confia nas coisas, nos ídolos que eu fiz? Eu ainda tenho um nome ou comecei a perder o meu nome? Ou me chamo só de 'eu'? Eu, me, mim, comigo, para mim, somente eu? Para mim, para mim... sempre esse egoísmo: 'eu'. Isto não nos traz a salvação".

Mas há uma porta de esperança no final, declarou o Santo Padre, mesmo para aqueles que confiaram em si mesmos e "perderam o seu nome". Disse Francisco: “No final, no final, no final sempre há uma possibilidade. E aquele homem, quando se dá conta de que tinha perdido o próprio nome, de que tinha perdido tudo, tudo, levanta os olhos e só diz uma palavra: 'Pai!'”.

“E a resposta de Deus é uma só palavra: 'Filho!'. Se algum de nós, nesta vida, de tanto ter confiança no homem e em si mesmo, acaba perdendo o seu nome, por perder essa dignidade, ainda resta a possibilidade de dizer esta palavra que é mais do que mágica, é mais, é forte: 'Pai!'. Ele sempre nos espera para abrir a porta que nós não vemos e nos dirá: 'Filho!'. Peçamos a nosso Senhor a graça da sabedoria para todos nós, para termos confiança somente nele, não nas coisas, nas forças humanas, somente nele".