Homilia do papa Francisco na Casa Santa Marta: A incoerência do cristão faz muito mal

O Santo Padre afirma que o cristão deve pensar, sentir e agir como cristão

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Redacao | 750 visitas

O cristão incoerente causa escândalo e o escândalo mata: esta foi a reflexão proposta pelo papa na homilia desta quinta-feira.

Francisco baseou a homilia no sacramento da confirmação, que ele administrou durante a missa. Quem é crismado, afirmou ele, manifesta o desejo de ser cristão. Ser cristão significa dar testemunho de Jesus Cristo: o cristão é uma pessoa que "pensa como cristão, sente como cristão e age como cristão. E esta é a coerência de vida de um cristão". Francisco observou que podemos dizer que temos fé, "mas, se falta uma dessas coisas, não somos cristãos, há algo que não está certo, há uma incoerência". E os cristãos "que habitualmente vivem na incoerência fazem muito mal".

Francisco explicou: "Escutamos o apóstolo São Tiago, que fala para alguns incoerentes que se consideram cristãos, mas que se aproveitam dos seus trabalhadores, e ele diz assim: ‘O salário dos trabalhadores que colheram em vossas terras e que vós não pagastes grita, e seus protestos chegaram aos ouvidos do Senhor Onipotente’. Se você ouve isto, pode pensar: ‘Mas isso foi dito por um comunista!’. Não, não, que disse isso foi o apóstolo Tiago! É palavra do Senhor. E ele está falando da incoerência. Quando não há coerência cristã e se vive com essa incoerência, é um escândalo. Os cristãos que não são coerentes dão escândalo".

O papa afirmou ainda que Jesus fala com força sobre o escândalo: “Quem escandaliza um só destes pequenos que creem em mim, um só destes irmãos e irmãs que têm fé, mais lhe valeria que lhe pendurassem ao pescoço uma pedra de moinho e o lançassem no fundo do mar”. Um cristão incoerente faz muito mal e o escândalo mata, advertiu o pontífice. "Muitas vezes, escutamos as pessoas dizerem: ‘Padre, eu acredito em Deus, mas não na Igreja, porque vocês, cristãos, dizem uma coisa e fazem outra’. E também escutamos: ‘Eu acredito em Deus, mas em vocês não’. E isto acontece por causa da incoerência”, disse Francisco.

O papa prosseguiu: “Se você está diante de um ateu e ele diz que não acredita em Deus, você pode ler para ele toda a biblioteca que diz que Deus existe e provar que Deus existe, e ele não terá fé. Mas se, diante desse ateu, você der testemunho de coerência de vida cristã, alguma coisa vai começar a trabalhar no coração dele. Vai ser precisamente o seu testemunho o que vai provocar essa inquietação, e o Espírito Santo vai trabalhar nela. É uma graça que todos nós, toda a Igreja tem que pedir: 'Senhor, que sejamos coerentes'".

É necessário rezar, conclui o papa, "porque para viver na coerência cristã é necessária a oração, porque a coerência cristã é um dom de Deus e precisamos pedi-lo: Senhor, que eu seja coerente! Senhor, que eu não escandalize nunca, que eu pense como cristão, que eu sinta como cristão, que eu aja como cristão".

Ao terminar, Francisco pediu que, quando cairmos por causa da nossa fraqueza, peçamos perdão: "Todos somos pecadores, todos, mas todos nós temos a capacidade de pedir perdão. E Ele não se cansa nunca de perdoar! Ter a humildade de pedir perdão: 'Senhor, eu não fui coerente aqui. Perdão'. Seguir em frente na vida com a coerência cristã, com o testemunho de quem crê em Jesus Cristo, de quem sabe que é pecador, mas tem a valentia de pedir perdão quando erra, e de quem tem muito medo de escandalizar. Que nosso Senhor conceda esta graça a todos nós".