Homilia do papa Francisco na Casa Santa Marta: a tentação cresce, contagia e dá justificativas

O Santo Padre nos recorda que o diabo existe também no século XXI

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Redacao | 769 visitas

O papa Francisco pediu nesta manhã, durante a homilia na Casa Santa Marta, que aprendamos do Evangelho a lutar contra as tentações do demônio. O pontífice recordou que todos somos tentados, porque o diabo não quer a nossa santidade, e reiterou que a vida cristã é uma luta contra o mal.

O Santo Padre declarou que “a vida de Jesus foi uma luta. Ele veio para vencer o mal, para vencer o príncipe deste mundo, para vencer o demônio”. E a luta contra o demônio tem que ser enfrentada por cada cristão. O demônio “tentou Jesus muitas vezes e Jesus sentiu as tentações”, como “também sentiu as perseguições”. Nós também, completou Francisco, “somos tentados, somos objetos do ataque do demônio, porque o espírito do mal não quer a nossa santidade, não quer o testemunho cristão, não quer que nós sejamos discípulos de Jesus. E como é que o espírito do mal procura nos afastar do caminho de Jesus com a tentação? A tentação do demônio tem três características e nós precisamos conhecê-las para não cair nas armadilhas. Como é que o demônio faz para nos afastar do caminho de Jesus? A tentação começa de leve, mas cresce: sempre cresce. Ela cresce e contagia o outro, se transmite para o outro, tenta ser ‘comunitária’. E, por último, para tentar tranquilizar a alma, ela dá uma justificativa. Ela cresce, contagia e dá justificativas”.

O Santo Padre observou que a primeira tentação de Jesus “quase parece uma sedução”: o diabo sugere que Jesus se jogue do alto do templo para que todos digam: “Este é o Messias!”. É a mesma coisa que ele fez com Adão e Eva: “É a sedução”. O diabo “quase fala como se fosse um mestre espiritual”. E, “quando é rejeitado”, ele “cresce: cresce e se torna mais feroz”. Francisco lembrou que Jesus “diz isso no Evangelho de Lucas: quando o demônio é rejeitado, ele procura companheiros e volta com essa ‘turma’”. Portanto, “ele cresce envolvendo outros”. E assim, prosseguiu o pontífice, “aconteceu com Jesus”: “o demônio envolve” os inimigos dele. E o que “parecia um fio d’água, pequeno, tranquilo, se transforma numa torrente”. O Santo Padre observou que, quando Jesus prega na sinagoga, os seus inimigos o menosprezam dizendo: “Mas este é o filho de José, o carpinteiro, o filho de Maria! Ele nunca estudou! Com que autoridade ele está falando? Ele não estudou!”. A tentação “envolveu todos contra Jesus”, disse o papa. E o ponto mais alto, “mais forte da justificativa”, vem do sacerdote que diz: “Não sabeis que é melhor que um homem morra para salvar o povo?”.

Francisco voltou a destacar: “Temos uma tentação que cresce: cresce e contagia os outros. Vamos pensar numa fofoca, por exemplo: eu tenho um pouco de inveja de tal pessoa e de tal outra. Primeiro, essa inveja está dentro de mim, apenas. Mas começa a ‘necessidade’ de compartilhá-la. E eu vou falar com alguém: ‘Você viu aquela pessoa?’… E a tentação cresce e contagia outro, e outro… Este é o mecanismo da fofoca e todos nós já fomos tentados a fofocar! Esta é uma tentação cotidiana. Mas começa assim, suavemente, como o fio d’água. Cresce por contágio e, no fim, tenta se justificar”.

Por isso, Francisco nos pediu ficar “atentos quando em nosso coração sentirmos algo que vai acabar destruindo as pessoas”. E reforçou: “Vamos ficar atentos porque, se não pararmos a tempo, esse fio d’água, quando crescer e contagiar os outros, será uma torrente que só nos levará a justificar o mal, como aquelas pessoas tentaram se justificar” afirmando que “é melhor que morra um só homem pelo povo”.

Para terminar, o bispo de Roma destacou que “todos somos tentados, porque a lei da vida espiritual, da nossa vida cristã, é uma luta: uma luta. Porque o príncipe deste mundo, o diabo, não quer a nossa santidade, não quer que nós sigamos a Cristo. Algum de vocês, talvez, pode dizer: ‘Mas, padre, como você é antiquado: falar do demônio em pleno século XXI! Mas o diabo existe! O diabo existe. Também no século XXI! E não devemos ser ingênuos! Temos que aprender do Evangelho como se luta contra ele”.