Homilia do papa Francisco na Casa Santa Marta: o Espírito Santo guia a Igreja com os seus dons

O Santo Padre nos convida a pedir o dom da docilidade ao Espírito, que nos fala no coração e nas circunstâncias da vida

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Redacao | 863 visitas

O Santo Padre se perguntou hoje "quem somos nós para fechar as portas ao Espírito Santo?", na homilia da missa celebrada na Casa Santa Marta. Francisco dedicou a reflexão à conversão dos primeiros pagãos ao cristianismo e recordou que é o Espírito Santo quem faz a Igreja avançar "além dos limites".

O papa afirmou que o Espírito sopra onde quer, mas uma das tentações mais recorrentes de quem tem fé é bloquear o caminho dele. Uma tentação que não é estranha aos alvores da Igreja, como demonstra a experiência de Pedro no fragmento dos Atos dos Apóstolos proposto pela liturgia do dia. Uma comunidade de pagãos acolhe o anúncio do Evangelho e Pedro é testemunha ocular da vinda do Espírito Santo sobre eles. O apóstolo, porém, primeiro hesita em ter contato com aqueles a quem sempre tinha considerado "impuros" e depois sofre duras críticas dos cristãos de Jerusalém, escandalizados com o fato de o chefe ter comido com os "não circuncidados" e ainda tê-los batizado. Para explicar esta passagem, Francisco apresentou o seguinte paralelismo:

“Era algo impensável. Se amanhã viesse uma expedição de marcianos, por exemplo, e alguns deles viessem até nós e um deles dissesse: 'Eu quero o batismo!', o que aconteceria?".

Francisco observou que Pedro compreendeu o erro depois que uma visão o iluminou quanto à verdade fundamental: quem foi purificado por Deus não pode ser chamado de "profano" por ninguém. E, ao narrar este fato à multidão que o critica, o apóstolo pergunta: "Se Deus deu a eles o mesmo dom que deu a nós por termos acreditado no Senhor Jesus Cristo, quem sou eu para impor impedimentos a Deus?", recordou o papa.

Francisco ainda observou: "Quando nosso Senhor nos faz ver o caminho, quem somos nós para dizer ‘Não, Senhor, não é prudente! Não, vamos fazer assim’... E Pedro, nessa primeira diocese, a primeira diocese que foi Antioquia, toma essa decisão: ‘Quem sou eu para colocar impedimentos?’. Uma palavra bonita para os bispos, para os sacerdotes e também para os cristãos. Quem somos nós para fechar as portas? Na Igreja antiga, e ainda hoje, temos o ministério do hostiário. E o que o hostiário fazia? Abria a porta, recebia as pessoas, fazia as pessoas passarem. Nunca houve o ministério de fechar a porta, nunca!”.

O papa ressaltou que, ainda hoje, Deus colocou a guia da Igreja "nas mãos do Espírito Santo" porque "é o Espírito Santo que, como diz Jesus, nos ensinará tudo" e "nos fará recordar o que Jesus nos ensinou".

Para encerrar, o bispo de Roma enfatizou que "o Espírito Santo é a presença viva de Deus na Igreja. É o que faz a Igreja avançar, caminhar. Cada vez mais, indo além dos limites, indo mais adiante. O Espírito Santo, com os seus dons guia a Igreja. Não podemos entender a Igreja de Jesus sem o Paráclito, que nosso Senhor nos envia para isso. E Ele toma essas decisões impensáveis, impensáveis! Para usar uma palavra de São João XXIII: é precisamente o Espírito Santo que 'atualiza' a Igreja: verdadeiramente, precisamente a atualiza e a faz ir adiante. E nós, cristãos, temos que pedir ao Senhor a graça da docilidade ao Espírito Santo. A docilidade a este Espírito que nos fala no coração, que nos fala nas circunstâncias da vida, que nos fala na vida eclesial, nas comunidades cristãs, que nos fala sempre".