Homilia do papa Francisco: o perigo de manipular a palavra de Deus

O Santo Padre nos propôs, nesta sexta-feira, a humildade e a oração para sermos dóceis ao Espírito Santo

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Redacao | 696 visitas

Se um cristão não é humilde e não reza, ele corre o risco de se apropriar da palavra de Deus e utilizá-la para o que lhe convém, disse o papa Francisco na homilia de hoje, em sua missa cotidiana celebrada na Casa Santa Marta. O papa falou inspirando-se na leitura do Evangelho: era a parábola dos vinhateiros homicidas, que, primeiro, assassinam os servos e, por último, o filho do dono da vinha, pensando em se apropriar da herança. Quem escuta essa parábola de Jesus são os fariseus, os anciãos e os sacerdotes, a quem, explica o papa, Ele se dirige para mostrar “o quanto eles decaíram por não ter o coração aberto à palavra de Deus”.

“Este é o drama daquela gente, mas também o nosso! Eles se apropriaram da palavra de Deus e transformaram a palavra de Deus em palavra deles, de acordo com os interesses deles, com as suas ideologias, com as suas teologias... mas a serviço deles. E cada um a interpreta conforme a própria vontade, conforme o próprio interesse. Este é o drama daquele povo. E para conservar aquilo, eles assassinam. Foi isto o que aconteceu com Jesus”.

E o papa prossegue: “O chefe dos sacerdotes e dos fariseus, ao escutar a parábola de Jesus, entendeu que ele falava deles. Por isso, eles tentavam capturá-lo e matá-lo”. Desta maneira, afirma o papa, “a palavra de Deus está morta, aprisionada, o Espírito Santo fica enjaulado nos desejos de cada um deles”. E é isto o que nos acontece, diz o papa, “quando não estamos abertos à novidade da palavra de Deus, quando não somos obedientes à palavra de Deus”.

“Entretanto”, prossegue Francisco, “há uma frase que nos dá esperança. A palavra de Deus está morta no coração dessa gente e pode morrer também no nosso! Mas ela não se esgota, porque está viva no coração dos simples, dos humildes, do povo de Deus. Eles tentavam capturá-lo, mas tinham medo da multidão do povo de Deus, porque ela o considerava um profeta”.

“Aquela multidão era de gente simples, que seguia Jesus porque as coisas que Jesus dizia faziam bem ao coração de todos eles, aquecia o coração deles. Essa gente não tinha se enganado. Eles não usavam a palavra de Deus para a sua conveniência: eles ouviam e procuravam ser melhores”.

E o papa se interroga: “O que podemos fazer para não assassinar a palavra de Deus? Para ser dóceis e não enjaular o Espírito Santo?”.

“Duas cosas simples”, responde Francisco. “A atitude de quem quer escutar a palavra de Deus é, em primeiro lugar, a humildade; em segundo lugar, a oração. Aquela gente não rezava. Não sentia necessidade de rezar. Eles se sentiam seguros, fortes, deuses! Humildade e oração: é com a humildade e com a oração que nós vamos em frente para escutar a palavra de Deus e obedecer a ela. Na Igreja, humildade e oração, para não nos acontecer o que aconteceu com aquela gente: não assassinemos a palavra de Deus, para transformá-la numa palavra que nós achamos que é a palavra de Deus, mas que foi totalmente alterada por nós”.