Homilia do papa na Casa Santa Marta: A misericórdia de Deus acaricia as feridas dos nossos pecados

Francisco explica que Jesus supera a lei e nos aconselha a não voltar a pecar

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Redacao | 561 visitas

A misericórdia divina é uma grande luz de amor e de ternura; é a carícia de Deus nas feridas dos nossos pecados. A declaração é do papa Francisco, na homilia desta manhã.

O relato do evangelho sobre a adúltera perdoada foi a deixa para o Santo Padre explicar a misericórdia de Deus. O texto é bem conhecido: os fariseus e escribas trazem até Jesus uma mulher flagrada em adultério e lhe perguntam o que fazer, já que a lei de Moisés prevê a lapidação. “O matrimônio”, explicou o pontífice, “é um símbolo e também uma realidade humana da relação fiel entre Deus e o seu povo. Quando se arruína o matrimônio com um adultério, essa relação entre Deus e o povo fica suja". Mas os escribas e fariseus fazem essa pergunta a Jesus procurando um motivo para acusá-lo: "Se Jesus tivesse dito ‘sim, sim, apedrejem a adúltera’, eles teriam dito para o povo: ‘Vejam só o seu mestre tão bonzinho… Olhe só o que ele mandou fazer com essa pobre mulher!’. E se Jesus tivesse dito ‘não, coitada, perdoem-na’, eles teriam retrucado: ‘Ele não cumpre a lei!’… Eles não estavam se importando com a mulher; não se importavam com os adúlteros; talvez algum deles fosse adúltero… Não importava! Só importava fazer uma armadilha contra Jesus!".

E nosso Senhor respondeu: “Aquele de vocês que estiver sem pecado atire a primeira pedra”. O evangelho, com "certa ironia", diz que os acusadores “foram embora, um a um, começando pelos mais velhos”.

Observa o papa: “Vemos que, no banco do céu, eles têm uma boa conta corrente negativa”.

Jesus, prosseguiu Francisco, “ficou a sós com a mulher, como um confessor, e perguntou: ‘Onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou? Estamos a sós, tu e eu. Tu, diante de Deus, sem as acusações, sem os falatórios. Tu e Deus! Ninguém te condenou?’. A mulher responde: ‘Ninguém, Senhor!’. Ela não diz: ‘Foi uma acusação falsa! Eu não cometi adultério!’. Ela reconhece o pecado. E Jesus afirma: ‘Nem eu te condeno! Vai e não peques mais, para não passares por outro momento tão feio como este; para não passares tanta vergonha; para não ofenderes a Deus, para não sujares a bela relação entre Deus e o seu povo’. Jesus perdoa!”.

“Mas aqui nós temos algo além do perdão: Jesus supera a lei, vai além dela. Ele não diz que o adultério não é pecado! Mas não a condena com a lei. Este é o mistério da misericórdia. Este é o mistério da misericórdia de Jesus”.

“A misericórdia é difícil de entender. ‘Mas, padre, a misericórdia apaga os pecados?’. Não, o que apaga os pecados é o perdão de Deus! A misericórdia é a forma como Deus perdoa. Porque Jesus podia dizer: ‘Eu te perdoo. Vai”, como disse ao paralítico que tinham levado até Ele pelo telhado: 'Teus pecados te são perdoados!'. Aqui Ele diz: 'Vai em paz!'. Jesus vai mais longe. Aconselha a mulher a não pecar mais. Essa é a atitude misericordiosa de Jesus: Ele defende o pecador dos seus inimigos; defende o pecador de uma condenação justa. Nós também, quantos de nós, talvez devêssemos ir para o inferno! Quantos de nós? E essa condenação é justa! Mas Ele perdoa indo além. Como? Com a misericórdia".

"A misericórdia vai além e transforma a vida de uma pessoa a tal ponto que o pecado é deixado de lado. É como o céu".

"Nós olhamos para o céu, tantas estrelas, tantas estrelas; mas, quando chega o sol, de manhã, com tanta luz, as estrelas não são mais visíveis. A misericórdia de Deus é assim: uma grande luz de amor, de ternura. Deus não perdoa com um decreto, mas com uma carícia, acariciando as feridas dos nossos pecados. Porque Ele está envolvido com o perdão, com a nossa salvação. E Jesus age como confessor: Ele não a humilha, não lhe diz 'Mas o que foi que fizeste! E quando fizeste isso? E como fizeste? E com quem fizeste?'. Não! Ele diz: 'De agora em adiante não peques mais!'. É grande a misericórdia de Deus! É grande a misericórdia de Jesus. Perdoar-nos, acariciar-nos!".