Homilia do papa na Casa Santa Marta: coração e mente fechados não deixam espaço para Deus

Francisco reflete sobre o perigo do pensamento único, que é escravo de esquemas prontos

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Redacao | 618 visitas

Continua existindo hoje a ditadura do pensamento único, que mata a liberdade dos povos, a liberdade das pessoas, a liberdade das consciências: diante disso, temos que “vigiar e orar”, disse hoje o papa Francisco em sua homilia, na Casa Santa Marta.

Deus promete a Abraão que ele será pai de uma multidão de nações, mas ele e sua descendência deverão observar a aliança com o Senhor. A homilia do papa usou como referência a primeira leitura do dia para explicar a postura farisaica de fechamento diante da mensagem de Jesus. Os fariseus pensavam que tudo se resumia à observância dos mandamentos, mas estes “não são uma lei fria”, porque nascem de uma relação de amor; são “indicativos” que nos ajudam a não errar no caminho para encontrar Jesus.

Os fariseus fecham coração e mente “para qualquer novidade”, não entendem “o caminho da esperança”. Este é “o drama do coração fechado, o drama da mente fechada. E quando o coração está fechado, ele fecha a mente; e quando coração e mente estão fechados, não há lugar para Deus”, mas apenas para o que achamos que deve ser feito. Os mandamentos, porém, “carregam uma promessa; e os profetas despertam essa promessa”. Quem tem coração e mente fechados não consegue acolher a “mensagem de novidade” trazida por Jesus, que “é o que tinha sido prometido pela fidelidade de Deus e dos profetas. Mas eles não entendem”.

Explica o Santo Padre: “É um pensamento que não está aberto ao diálogo, à possibilidade da existência de outra coisa, à possibilidade de que Deus nos fale, nos diga como é o seu caminho, como Ele fez com os profetas. Aquela gente não tinha escutado os profetas e não escutava Jesus. É mais do que simples teimosia. É mais: é a idolatria do próprio pensamento. ‘Eu penso assim, isso tem que ser assim e fim’. Aquela gente tinha um pensamento único e queria impor esse pensamento ao povo de Deus. Por isso Jesus os repreende”.

O que Jesus repreende, observou Francisco, é a incoerência deles. “A teologia daquela gente se torna escrava de um esquema, de um esquema de pensamento, o pensamento único”.

O papa afirmou ainda que “não há possibilidade de diálogo, não há possibilidade de se abrir às novidades que Deus nos traz através dos profetas. Eles assassinaram os profetas. Aquela gente fecha a porta para a promessa de Deus. E, na história da humanidade, quando ocorre esse fenômeno do pensamento único, quantas desgraças! No século passado, todos nós vimos as ditaduras do pensamento único, que acabaram matando tanta gente! Quando eles se sentiam donos, ninguém podia pensar de outra forma. ‘O único jeito de pensar é assim’”.

Hoje também existe a idolatria do pensamento único, alertou o papa. “Hoje temos que pensar assim e quem não pensa assim não é moderno, não é aberto, ou coisa pior. Muitas vezes, alguns governantes dizem: ‘Peço ajuda financeira para isto’. E respondem: ‘Se você quer esta ajuda, tem que pensar assim e criar essa lei, e essa outra, e aquela outra…’. Hoje também sofremos a ditadura do pensamento único e essa ditadura é a mesma daquela gente [citada no Evangelho]: pegar as pedras para apedrejar a liberdade dos povos, a liberdade das pessoas, a liberdade das consciências, a relação das pessoas com Deus. E Jesus é crucificado mais uma vez”.

Ao terminar, o pontífice destacou que a exortação de nosso Senhor “diante desta ditadura é sempre a mesma: vigiar e orar; não ser tolos, não comprar coisas que não servem para sermos humildes e para rezarmos. Que nosso Senhor sempre nos dê a liberdade do coração aberto, para recebermos a sua Palavra, que é promessa, alegria e aliança”.