Homilia do papa na Casa Santa Marta: Deus busca o homem numa relação papai-filhinho

O papa Francisco explicou nesta sexta-feira que, para entender o amor de Deus, o homem tem que procurar a pequenez

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Redacao | 583 visitas

Nesta festa do Sagrado Coração de Jesus, o papa Francisco declarou na homilia que Deus pede que o homem se faça pequeno para poder comunicar a ele o seu amor.

Deus não espera: Ele doa; não fala, mas age. O Santo Padre fala do coração de Jesus, celebrado na liturgia de hoje. Deus, disse Francisco, “nos dá a graça, a alegria de celebrar no coração do seu Filho as grandes obras do seu amor. Podemos dizer que hoje é a festa do amor de Deus em Jesus Cristo, do amor de Deus por nós”.

“Existem dois aspectos do amor. Primeiro, o amor está mais em dar do que em receber. Segundo: o amor está mais nas obras do que nas palavras. Quando dizemos que está mais em dar do que em receber, é porque o amor se comunica: sempre comunica. E é recebido pelo amado. E quando dizemos que está mais nas obras do que nas palavras, é porque o amor sempre dá a vida, faz crescer”.

Para entender o amor de Deus, o homem tem que procurar uma dimensão inversamente proporcional à imensidão: a pequenez, “a pequenez do coração”.

Moisés, disse o papa, explica ao povo judeu que eles foram escolhidos por Deus porque eram “o menor de todos os povos”. E Jesus, no evangelho, louva o Pai porque Ele “escondeu as coisas divinas dos doutos e as revelou aos pequenos”. Deus busca o homem, portanto, numa “relação papai-filhinho”, o acaricia e lhe diz: “Eu estou contigo”.

“Esta é a ternura do Senhor, em seu amor; Ele nos comunica isto e nos dá a força da sua ternura. Mas, se nos sentimos fortes, nunca teremos a experiência da carícia do Senhor, as carícias tão belas do Senhor... tão belas”.

“‘Não temas, eu estou contigo e te dou a mão...’. São palavras do Senhor que nos fazem sentir aquele misterioso amor que Ele tem por nós. E quando Jesus fala de si mesmo, Ele nos diz: ‘Eu sou manso e humilde de coração’. Ele também, o Filho de Deus, se abaixa para receber o amor do Pai”.

Outra prova particular do amor de Deus, indicou o pontífice, é que Ele nos amou primeiro, Ele sempre chega antes de nós e nos espera.

O papa Francisco terminou a homilia pedindo a Deus a graça “de entrarmos neste mundo tão misterioso, de nos aniquilarmos e de termos este amor que se comunica, que nos dá alegria e que nos conduz pelo caminho da vida, como crianças levadas pela mão”.

“Quando nós chegamos, Ele já está lá; quando nós o buscamos, Ele nos buscou primeiro. Ele sempre está diante de nós, nos espera para nos receber no seu coração, no seu amor. E estas duas coisas podem nos ajudar a entender este mistério do amor de Deus por nós. Para se expressar, Ele precisa da nossa pequenez, do nosso abaixamento. E também precisa do nosso assombro quando o buscamos e o encontramos lá, esperando por nós”.