Homilia do papa na Casa Santa Marta: não ter medo da consolação do Senhor

Nesta terça-feira, Francisco disse que Deus refaz tudo com a esperança

Roma, (Zenit.org) Redacao | 403 visitas

Na homilia desta terça-feira, o papa recordou que, quando Jesus vem até nós, ele “sempre abre as portas” e “nos dá esperança”. Por isso, não devemos ter medo da consolação do Senhor, mas sim pedi-la e buscá-la: é uma consolação que nos faz sentir a ternura de Deus.

"Consolai, consolai o meu povo". Foi assim que o papa Francisco abriu a homilia, concentrado numa passagem do livro de Isaías, o livro da consolação de Israel. Nosso Senhor, observou o papa, vem até o seu povo para consolá-lo, "para lhe trazer a paz". E esse "trabalho de consolação" é tão intenso que "atrai todas as coisas". Deus faz uma verdadeira recriação.

Francisco explicou: "Ele recria as coisas. E a Igreja não se cansa de dizer que esta recriação é mais maravilhosa do que a criação. Nosso Senhor recria mais maravilhosamente! E assim ele visita o seu povo: recriando, com esse poder. E o povo de Deus sempre teve essa ideia, esse pensamento, de que o Senhor virá visitá-lo. Recordemos as últimas palavras de José aos seus irmãos: 'Quando o Senhor vos visitar, levai convosco os meus ossos’. O Senhor visitará o seu povo: esta é a esperança de Israel. Mas ele o visitará com esta consolação".

O santo padre prosseguiu, afirmando que "a consolação é esse refazer tudo, não uma vez, mas muitas, com o universo e também conosco". Este "refazer do Senhor" tem duas dimensões que é importante ressaltar. "Quando nosso Senhor vem, ele nos dá esperança, ele recria com a esperança, ele sempre abre uma porta. Sempre".

Assim, "quando um cristão se esquece da esperança, ou pior, quando ele perde a esperança, a vida dele não tem sentido. É como se a vida estivesse diante de um muro: nada. Mas Deus nos consola e nos refaz, com a esperança, para seguirmos em frente. Ele se aproxima de modo especial de cada um, porque nosso Senhor consola o seu povo e consola cada um de nós. É bonito o final da passagem de hoje: 'Como um pastor que apascenta o rebanho, seu braço o reúne, toma ao colo os cordeiros e os leva até junto das mães'. Essa imagem de levar os cordeiros no colo e os colocar com doçura do lado das mães: essa é a ternura. Nosso Senhor nos consola com ternura".

Francisco recordou que Deus é poderoso e não tem medo da ternura. "Ele se torna ternura, se torna criança, se torna pequeno". Jesus mesmo afirma: "Esta é a vontade do Pai: que nenhum desses pequenos se perca". O papa acrescentou que, aos olhos de Deus, "cada um de nós é muito, muito importante. E ele se dá com ternura", fazendo-nos "seguir adiante, dando-se com esperança". Este "foi, principalmente, o trabalho de Jesus" nos "quarenta dias entre a ressurreição e a ascensão: consolar os discípulos, ir até eles e lhe dar a consolação".

Ao encerrar a homilia, o santo padre enfatizou que Deus vem até nós “para dar esperança” e “vem com ternura”.

“Pensemos na ternura que ele teve com os apóstolos, com Maria Madalena, com os discípulos de Emaús. Ele se aproximava com ternura: 'dai-me de comer'. Para Tomé: 'põe o teu dedo aqui'. Nosso Senhor é sempre assim. Assim é a consolação do Senhor. Que o Senhor dê a graça para todos nós de não ter medo da consolação divina, de estar abertos: pedi-la, buscá-la, porque é uma consolação que nos dará esperança e nos fará sentir a ternura de Deus Pai".