Homilia do papa na Casa Santa Marta: o demônio é o pai da divisão, mas o Espírito Santo nos une

Nesta terça-feira, Francisco nos convida a viver como as primeiras comunidades cristãs

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Redacao | 704 visitas

Toda comunidade cristã deveria comparar a própria vida com a vida que animava a primeira comunidade da Igreja. Temos que avaliar a nossa capacidade de viver em harmonia, de dar testemunho da ressurreição de Cristo e de ajudar os pobres. Esta foi a proposta do papa Francisco na homilia da missa celebrada na manhã de hoje, na Casa Santa Marta.

Os Atos dos Apóstolos desenham a primeira comunidade cristã como um "ícone" em três "pinceladas". O Santo Padre se concentrou em "três pontos" característicos daquela comunidade, capaz de plena concórdia em seu interior, de dar testemunho de Cristo e de impedir que qualquer dos seus membros sofresse a miséria: "São as três características do povo nascido de novo". Desta forma, o pontífice desenvolveu toda a sua homilia a partir do que, durante a semana de Páscoa, a Igreja destacou reiteradamente: o “renascer do Alto”, do Espírito que deu vida ao primeiro núcleo dos cristãos, antes mesmo de eles serem chamados de cristãos.

O papa explicou: "Eles tinham um só coração e uma só alma. A paz. Uma comunidade em paz. Isto significa que, naquela comunidade, não havia lugar para a fofoca, para as invejas, para as calúnias, para as difamações. Paz. O perdão: o amor cobria tudo. Para qualificar uma comunidade cristã, temos que nos perguntar como é a atitude dos cristãos. São mansos, humildes? Nessa comunidade existem disputas entre eles pelo poder? Disputas de inveja? Existem fofocas? Então eles não estão no caminho de Jesus Cristo. Esta peculiaridade é muito importante, muito importante, porque o demônio tenta sempre nos dividir. Ele é o pai da divisão".

Mas, observou Francisco, também havia problemas nas primeiras comunidades. O papa recordou "as lutas internas, as lutas doutrinais, as lutas de poder". E destacou o caso das viúvas que se lamentavam por não ter sido bem assistidas, a ponto de os apóstolos terem tido que "servir de diáconos". Aquele foi um “momento forte” do início do cristianismo, que estabelece para sempre a essência da comunidade nascida do Espírito. Uma comunidade unida, uma comunidade de testemunhas da fé, que o papa propõe como parâmetro para todas as comunidades de hoje.

"[Esta] é uma comunidade que dá testemunho da ressurreição de Jesus Cristo? Esta paróquia, esta comunidade, esta diocese, acredita realmente que Jesus Cristo ressuscitou? Ou ela diz: 'Sim, ele ressuscitou, mas aqui' [indica a cabeça], porque o coração está longe dessa força. Dar testemunho de que Jesus está vivo, está entre nós: é assim que podemos verificar como é que está uma comunidade".

Outro aspecto sobre o qual Francisco refletiu ao considerar a vida de uma comunidade cristã foram "os pobres". O papa destacou duas ideias a este respeito: "Primeiro: como é a sua atitude ou a atitude desta comunidade para com os pobres? Segundo: esta comunidade é pobre? Pobre de coração, pobre de espírito? Ou ela coloca a sua confiança nas riquezas? No poder? Harmonia, testemunho, pobreza e cuidar dos pobres: é isto o que Jesus explicava para Nicodemos, esse nascer do Alto. Porque o único que pode nos fazer isso é o Espírito. Esta é obra do Espírito. A Igreja é feita pelo Espírito. O Espírito é quem faz a unidade. O Espírito nos impulsiona para o testemunho. O Espírito faz você pobre, porque Ele é a riqueza e é Ele quem faz com que você cuide dos pobres".

Ao terminar a homilia, Francisco pediu que "o Espírito Santo nos ajude a caminhar nesta estrada de renascidos pela força do Batismo".