Homilia do papa na Casa Santa Marta: para os sacerdotes, Jesus tem que ser o primeiro amor

Francisco recorda aos sacerdotes os aspectos mais importantes da sua relação com Cristo

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Redacao | 750 visitas

Os sacerdotes, mais do que estudiosos, são pastores; não podem nunca se esquecer de Cristo, seu "primeiro amor", e devem permanecer sempre do seu lado. Foi o que o Santo Padre afirmou na homilia desta manhã, na capela da Casa Santa Marta.

“Como está hoje o meu primeiro amor? Estou enamorado como no primeiro dia? Estou feliz contigo ou te ignoro? São perguntas que temos que fazer com frequência”, disse o papa. “E não só os cônjuges: também os sacerdotes, diante de Jesus. Porque Ele pergunta isso todos os dias, como perguntou a Pedro: ‘Simão, filho de João, tu me amas?’”.

Na homilia, o papa fez referência a esse diálogo do evangelho em que Cristo pergunta três vezes ao primeiro dos apóstolos se ele o ama. Francisco convidou os bispos e sacerdotes a se perguntarem se continuam enamorados de Jesus como “no primeiro dia” ou se “o trabalho e as preocupações me fazem olhar para outras coisas e esquecer um pouco o amor”. E advertiu: “Os cônjuges brigam! E isso é normal. Mas, quando não há amor, não se briga: se rompe”.

Por isso, Francisco os convidou a nunca se esquecerem do primeiro amor e mencionou alguns aspectos a ser levados em conta na relação de diálogo entre um sacerdote e Jesus. Ser, acima de tudo, um pastor, como Jesus pediu a Pedro: "Apascenta as minhas ovelhas". O resto, afirma o papa, vem depois: ser pastor é mais importante do que o estudo, que o desejo de se tornar “um intelectual da filosofia, da teologia ou da patrologia”.

"Apascenta. Com a teologia, com a filosofia, com a patrologia, com aquilo que estudas, mas apascenta. Sê pastor. Porque nosso Senhor nos chamou para isto. E as mãos do bispo sobre a nossa cabeça são para sermos pastores", exortou. E perguntou: "Sou pastor ou sou um empregado dessa ONG que eu chamo de Igreja"?.

Francisco advertiu que não existe nem "glória" nem "majestade" para o pastor consagrado a Jesus. "Não, irmão. Vais terminar da forma mais comum e, muitas vezes, mais humilhante: na cama, com alguém te dando de comer, tendo que te vestir... Inútil, doente...". Porque o nosso destino é "terminar como Ele terminou", recordou o pontífice. Morrendo "como a semente de trigo, que assim dará fruto. Fruto que eu não verei".

A "palavra mais forte" com que Jesus termina a sua conversa com Pedro é "segue-me", disse o papa, explicando: "Se nós perdemos a orientação e não sabemos como responder sobre o amor, também não sabemos como responder sobre ser pastores, não sabemos como responder e não temos certeza de que nosso Senhor não vai nos deixar sozinhos nos momentos mais difíceis da vida, na doença. Ele diz: 'Segue-me'. E esta é a nossa certeza. Nas pegadas de Jesus. Neste caminho. 'Segue-me'".

Ao terminar a homilia, o Santo Padre pediu de Deus a graça para os sacerdotes e bispos encontrarem sempre ou se lembrarem sempre do primeiro amor, de ser pastores, de não ter vergonha de acabar humilhados no leito de morte ou de perder a cabeça por Cristo. “E que Deus nos dê sempre a graça de seguir Jesus, as pegadas de Jesus: a graça de segui-lo”.