Homilia do papa na Casa Santa Marta: Recebamos o Espírito Santo como as crianças recebem um presente

O Santo Padre nos recorda que a paz de Jesus não nos anestesia nem pode ser roubada

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Redacao | 459 visitas

Na homilia desta terça-feira em sua residência, a Casa Santa Marta, o papa Francisco afirmou que a paz de Jesus não é deste mundo apoiado em coisas materiais, em dinheiro e em poder.

Citando o evangelho de João e as palavras de Cristo, “Eu vou dou a minha paz”, o Santo Padre enfatizou que a paz de Jesus é diferente da paz que o mundo pode nos oferecer. O mundo “nos oferece a paz das riquezas”, disse o papa: uma paz de quem diz ter “tudo para viver, durante toda a vida, sem preocupação...”. “Esta é a paz que o mundo pode nos dar”, disse Francisco: a “paz” do dinheiro.

Jesus, porém, nos convida a não confiar nesta paz: “Os ladrões podem roubar as riquezas!”. E Francisco recordou que a paz do dinheiro não é definitiva. "O metal se oxida, não é? E, num colapso da bolsa, todo o nosso dinheiro vai embora! Não é uma paz segura: é uma paz superficial, temporal! Porque a paz mundana tem características que nos mostram que ela não é definitiva".

A “paz” do poder também é falha, prosseguiu o pontífice. Ela pode terminar, por exemplo, com um golpe de Estado. A suposta paz de Herodes acabou quando os Magos lhe disseram que tinha nascido o Rei de Israel. Também não funciona a paz da "vaidade, que varia conforme nos sintamos apreciados ou insultados".

"A paz que Jesus nos dá é o Espírito Santo. A paz de Jesus é uma Pessoa, é o Espírito Santo. No mesmo dia da Ressurreição, Ele vem até o Cenáculo e a sua saudação é ‘a paz esteja convosco; recebei o Espírito Santo’. Esta é a paz de Jesus: é uma Pessoa, é um grande presente. E, quando o Espírito Santo está em nosso coração, ninguém pode nos roubar a paz, ninguém! É uma paz definitiva!".

Entretanto, não basta receber a paz: temos que "custodiar essa paz e cuidar bem dela. É uma paz grande, uma paz que não é minha, é outra Pessoa que me dá esse presente, é outra Pessoa que está dentro do meu coração e que me acompanha durante toda a minha vida".

É uma paz que “recebemos com o batismo e com a confirmação, mas que precisamos receber do mesmo jeito que uma criança recebe um presente, sem condições, com o coração aberto”. Portanto, disse o papa, “temos que custodiar o Espírito Santo sem enjaulá-lo, pedindo a ajuda dele”.

“Se temos essa paz do Espírito, se temos o Espírito dentro de nós e somos conscientes disso, então que não se perturbe o nosso coração". Francisco recordou o que São Paulo nos diz: "Para entrar no Reino dos Céus, é necessário passar por muitas tribulações"; e todos nós passamos por elas, maiores ou menores que sejam.

“Que não se perturbe o nosso coração”, enfatizou o Santo Padre, porque a nossa é a paz de Jesus. "A presença do Espírito faz com que o nosso coração fique em paz, mas não anestesiado. Consciente, em paz: com a paz que só nos é dada pela presença de Deus".