Homilia do Papa na celebração no cemitério do Verano

O Santo Padre improvisou e recordou a esperança que significa o céu

Roma, (Zenit.org) | 810 visitas

"Queridos irmãos e irmãs. Neste cemitério, nos recolhemos e pensamos no nosso futuro, pensemos em todos aqueles que já foram, que nos precederam na vida e estão no Senhor.

É tão bonita essa visão do céu que escutamos na primeira leitura. O Senhor Deus, a beleza, a bondade, a verdade, a ternura, o amor pleno, isso é o que nos espera. E aqueles que nos precederam e morreram no Senhor estão lá, proclamam que foram salvos não pelas suas obras. Fizeram-nas, mas foram salvos pelo Senhor. A salvação pertence ao nosso Deus, é ele quem nos salva e nos leva de mãos dadas como um pai e no final da nossa vida, a esse céu onde estão os nossos antepassados.

Um dos anciãos faz uma pergunta: Quem são estes vestidos de branco, estes justos e estes santos que estão no Céu? São aqueles que vêm da grande tribulação e lavaram os seus vestidos tornando-os cândidos no sangue do Cordeiro. Só podemos entrar no céu por meio do sangue do cordeiro, por meio do sangue de Cristo. É o sangue de Cristo que nos justificou e nos abriu as portas do céu. E se hoje lembramos estes irmãos e irmãs que nos precederam no céu é porque foram lavados pelo sangue de Cristo. E esta é a nossa esperança, a esperança no sangue de Cristo e esta esperança não nos decepciona. Se vamos na vida com o Senhor, ele não nos decepciona jamais.

João dizia aos seus discípulos. Vejam quão grande amor teve o Pai para chamar-nos filhos de Deus, o somos. Por isso o mundo não nos conhece: somos filhos de Deus. Mas o que seremos ainda não foi revelado. E muito mais. E quando se tiver manifestado seremos semelhantes a ele porque o veremos como ele é. Ver a Deus, ser semelhantes a Deus, esta é nossa esperança.

E hoje, exatamente no dia dos santos, antes do dia dos mortos é preciso pensar na esperança, esta esperança que nos acompanha na vida. Os primeiros cristãos pintavam a esperança como uma âncora. Como se a vida fosse a âncora naquela margem e todos nós vamos segurando a corda. É uma bonita imagem esta esperança. Ter o coração ancorado lá onde estão os nossos, onde estão nossos antepassados, os santos, onde está Jesus e onde está Deus.

E esta é a esperança, a esperança que não decepciona. E hoje e amanhã são dias de esperança. A esperança é um pouco como o fermento que amplia a alma, mas existem momentos difíceis na vida, porém a alma segue adiante e olha para o que nos espera. Hoje é um dia de esperança. Nossos irmãos e irmãs estão na presença de Deus e também nós estaremos ali por pura graça do Senhor se caminhamos pela estrada de Jesus. E conclui o apóstolo: ‘quem tem esta esperança nele se purifica a si mesmo. A esperança também nos purifica, nos alivia, nos faz ir mais rápidos. Esta purificação na esperança em Jesus Cristo’.

Neste pré entardecer de hoje cada um de nós pode pensar no fim de sua vida. Pensemos, no meu, no teu, no teu, etc. Todos nós temos um entardecer, todos. Olho-o com esperança, com essa alegria de ser recebido pelo Senhor como é a alegria do cristão?

E isso nos dá a paz. Este é um dia de glória, mas de uma glória serena, tranquila, da paz. Pensemos no entardecer de tantos irmãos e irmãs que nos antecederam, pensemos no nosso entardecer quando chegar, e pensemos no nosso coração e nos perguntemos: onde está ancorado o meu coração? E se não está ancorado bem, ancoremo-lo lá naquela margem, sabendo que a esperança não decepciona, porque o Senhor Jesus não decepciona.

Traduzido por Thácio Siqueira