Hospitalidade é abertura para os outros e encontro com Deus, afirma cardeal

Segundo Dom Geraldo Agnelo, hoje em dia é difícil cultivar essa virtude

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SALVADOR, terça-feira, 24 de julho de 2007 (ZENIT.org).- «A hospitalidade, entendida em seu significado mais vasto, é abertura para os outros, acolhimento, disponibilidade; considerada na prospectiva de fé, é encontro com Cristo e com Deus», afirma o arcebispo primaz do Brasil.



Segundo o cardeal Geraldo Majella Agnelo afirma, em mensagem aos fiéis remetida a Zenit essa segunda-feira, na sociedade urbana de hoje, «individualista e anônima», «a hospitalidade vai se tornando cada vez mais difícil de se cultivar».

De acordo com o arcebispo de Salvador (Bahia, nordeste do país), a Escritura ajuda a descobrir o significado religioso da hospitalidade.

«Ela não é somente gesto humanitário, mas um aspecto do mandamento novo de Cristo», destaca.

O cardeal Agnelo explica que acolher o hóspede e o forasteiro «significa acolher Cristo, que se identifica com o excluído: “Era forasteiro e me hospedastes” (Mateus 25,35)».

«Não se pode esquecer que, em sentido mais verdadeiro e radical, todos nós somos hóspedes neste mundo, peregrinos e forasteiros, no caminho para o Senhor (cf. 1Pedro 2, 11; 2Coríntios 5,60)», recorda.

O arcebispo afirma que no Novo Testamento, «a hospitalidade é vista como expressão da caridade fraterna (Romanos 12, 9-13); o cristão deve se sentir sempre em débito em relação a todos (13, 8) e, portanto sempre aberto e disponível para com os outros em todo momento e situação».

«O aspecto religioso da hospitalidade, já esboçado no Antigo Testamento, revela-se agora inteiramente no ensinamento de Jesus.»

«Através do hóspede e no hóspede, Jesus mesmo é acolhido ou rejeitado (Mateus 25, 35-45). No peregrino, no necessitado, reconhece-se ou desconhece-se a sua presença em todos os seres humanos. Nos mais pequeninos, somos chamados a ver e a servir o Senhor (Lucas 9, 48)», escreve o cardeal.

Ao destacar o episódio do Evangelho desse domingo, em que o próprio Jesus é o hóspede na casa de Marta e Maria, o cardeal afirma que as duas têm papéis importantes para reflexão.

«Os traços do caráter de Marta podem ser vistos no homem moderno: vida frenética, doente de pressa e de ânsia crônica. Fazer muitas coisas em uma só vez. Perde-se o centro da gravidade, a coisa essencial por fazer. Geralmente se fazem mal as coisas.»

Segundo Dom Geraldo Agnelo, «o melhor modo de ser Marta é muitas vezes o de ser Maria: Escuta atenta da palavra de Deus, oração e reflexão, visão de tudo em relação com a eternidade, respeitar as prioridades. O homem de hoje não escolhe, mas se sujeita à agitação, dispêndio de energias com o “stress”».

«Marta e Maria: uma exprime o seu amor com o serviço concreto, outra com gestos de amor gratuito por Jesus. Uma, muito prática, prepara os alimentos para Jesus, a outra, mais poeticamente, o perfume.»

Segundo o cardeal, ambas encontraram a santidade e assim são veneradas pela Igreja. «Ambas devem precaver-se de riscos. As pessoas ativas, da dissipação e da ânsia; as pessoas contemplativas, da inércia e do desempenho. É preciso ter o coração de Maria e as mãos de Marta», destaca.