Humildade é "fazer-se pequenos, mas por amor, para 'elevar' os outros", disse Pe. Raniero Cantalamessa, O.F.M. Cap

Na sua segunda pregação de advento o Pregador da Casa Pontifícia discorre sobre a virtude da humildade à exemplo de São Francisco de Assis

Brasília, (Zenit.org) Thácio Siqueira | 822 visitas

Na manhã desta sexta-feira, na sua segunda pregação de Advento dirigida ao Santo Padre e aos membros da Cúria Romana, Pe. Raniero dirigiu a sua atenção a uma virtude especial que caracterizou toda a vida de São Francisco de Assis, a humildade.

“A virtude da humildade tem um estatuto todo especial – disse o pregador da casa pontifícia – tem-na quem pensa que não a tem, não a tem quem pensa tê-la”. Mostra disso acontece em Maria Santíssima, que tinha a humildade em mais alto grau, mas só Deus sabia disso, ela não, disse Cantalamessa. E isso porque o próprio da humildade é que “o seu odor só é percebido por Deus, não por quem o emana.”

Humildade, então, não é olhar para si mesmos ou para as próprias misérias; humildade “é olhar para Deus antes que a si mesmo e medir o abismo que separa o finito do infinito”, disse.

“Paradoxalmente, porém, o que mais enchia de assombro a alma de Francisco não era a grandeza de Deus, mas a sua humildade”. Francisco, que dava a Deus o título: “Tu es humildade”, “captou uma verdade profundíssima sobre Deus”, que “Deus é humildade porque é amor” e se encarnou.

“Diante das criaturas humanas, Deus se encontra desprovido de qualquer capacidade não só coercitiva, mas também defensiva”, disse, afirmando também que “É possível rejeitá-lo, excluí-lo: ele não se defenderá, deixará fazer”.

Cristo é, portanto o segundo motor da humildade de Francisco. O homem-Deus que disse: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração!” (Mt 11, 29).

Porém, em que devemos imitar a humildade de Cristo?, perguntou-se o Pregador da Casa Pontifícia. Cristo nunca se reconheceu pecador, muito pelo contrário, se chamou de Mestre e Senhor, disse ser mais do que os maiores profetas. E eis que aqui, diz Pe. Raniero, aprendemos algo novo: “A humildade não consiste principalmente em ser pequenos, porque pode-se ser pequenos, sem ser humildes; não consiste principalmente no sentir-se pequenos” (...) mas no “fazer-se pequenos, e não por alguma necessidade ou utilidade pessoal, mas por amor, para “elevar” os outros”.

E “Jesus se fez “pequeno”, como “se fez carne”, ou seja de forma permanente, até o fim. Escolheu pertencer à categoria dos pequenos e dos humildes” para sempre. Então, disse Pe. Cantalamessa, “Esta nova face da humildade é resumida em uma palavra: serviço.”.

Algumas considerações práticas sobre a virtude da humildade

Pe. Raniero disse que o considerar-se o mais vil e desprezível deve passar primeiro pelo ser considerado pelos demais dessa forma, assim como Francisco, que primeiro foi ridicularizado por amigos e familiares e considerado como “um ingrato, um fanático, alguém que nunca teria feito nada de bom na vida”.

O motivo disso é que pretender lutar sozinho contra o orgulho “é como usar o próprio braço para punir a si mesmo: realmente nunca se fará mal.”

Pe. Raniero assegurou que a luta contra o orgulho é algo de toda a vida. “O orgulho é capaz de alimentar-se tanto do mal quanto do bem; porém, ao contrário do que acontece com todos os outros vícios, o bem, não o mal, é o terreno de cultivo preferido deste terrível “vírus”.”

Finalizando as suas reflexões, disse o Pregador da Casa Pontifícia, que a humildade não é só uma virtude privada, mas também da Igreja como instituição e povo de Deus. E “é com essa, melhor do que com qualquer apologética, que se acalmam as hostilidade e os prejuízos contra ela e se abre o caminho para a aceitação do Evangelho”.