Ícone de Filermo visita o Kremlin

Museu moscovita recebe ícone mariano conservado na basílica papal de Assis

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ASSIS, quarta-feira, 11 de julho de 2012 (ZENIT.org) - De 5 de julho a 9 de setembro, o Kremlin recebe uma exposição particularmente interessante sobre a relação especial que a Rússia tem há séculos com a Ordem de Malta. A exposição no Palácio dos Patriarcas, chamada Tesouros da Ordem de Malta: nove séculos de serviço à fé e à caridade, apresenta mais de 200 objetos de museus e de coleções particulares da Rússia, da Itália, de Malta e da França.

A relação entre a Rússia e a Ordem de Malta sempre foi muito intensa. Paulo I, em 1798, deu proteção à ordem quando Napoleão a obrigou a procurar abrigo fora de Malta, depois de expulsá-la da ilha. O próprio soberano russo foi logo nomeado Grão-Mestre da Ordem.

A relação continuou ao longo do tempo, com uma história incomum ligada ao ícone de Nossa Senhora de Filermo. O ícone era venerado no mosteiro de Filermo, na ilha de Rodes, desde o século IX. Durante gerações, a imagem acompanhara os Cavaleiros de Malta. Com a expulsão da ordem, determinada por Napoleão, o ícone foi primeiramente levado a Moscou e depois para a Dinamarca, de onde acabou desaparecendo. Foi reencontrado em um mosteiro de Montenegro há poucos anos. No ínterim, o czar Nicolau I havia mandado fazer uma cópia do original, em 1852.

Este mesmo é o ícone que, a pedido do governo das ilhas egeias, foi enviado pelo governo bolchevique em 1925 para Rodes, para ali ser entronizado em um novo santuário. Depois, foi encaminhado até Assis pelos frades franciscanos em 1948, quando Rodes passou a depender do governo grego.

O ícone ainda se encontra em Assis, na Basílica de Santa Maria dos Anjos em Porciúncula, em uma capela lateral dedicada a ele. Agora, fica em exposição no museu do Kremlin graças a um projeto do governo russo e da Ordem de Malta.

A abertura da exposição foi impactante. Os eventos começaram com uma parada militar extraordinária, da qual participaram a guarda presidencial, os cavaleiros e a orquestra militar. Depois, discursaram o Grão-Mestre da Soberana Ordem de Malta, Matthew Festing, o Ministro da Cultura da Federação Russa, Vladimir Medinskiy, e a diretora do Museu do Kremlin, Yurevna Gagarina.

(Trad.ZENIT)