Ide e fazei discípulos entre as nações

II Encontro Internacional de preparação da Jornada Mundial da Juventude Rio 2013

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RIO DE JANEIRO, sexta-feira, 30 de novembro de 2012 (ZENIT.org) - Tivemos a alegria de acolher nesta semana o II Encontro Internacional de preparação da Jornada Mundial da Juventude Rio 2013 que será a primeira em língua portuguesa da história! Mais de 75 países estavam representados: bispos, padres, religiosos, consagrados, jovens. Estava presente o Pontifício Conselho dos Leigos com toda a coordenação, e também a CNBB com a Comissão Episcopal para a Juventude. Esteve entre nós o Núncio Apostólico, representante do Papa no Brasil. Recebemos as visitas das autoridades do município, do estado e do país, além dos representantes presentes no decorrer do encontro. Foi um momento de esclarecimento, conhecimento, celebrações, visitas, discussão de assuntos, estudos – tudo para bem preparar esse encontro que dá ao jovem o protagonismo e a responsabilidade do presente e do futuro do mundo. Durante esse tempo, tivemos a oportunidade de escutar e aprofundar a mensagem do Papa Bento XVI para a JMJ Rio 2013.

Nós a recebemos com muita alegria: é a mensagem do Papa para a XXVIII Jornada Mundial da Juventude, que nossa “cidade maravilhosa” sediará em julho de 2013. Nessa mensagem, o Santo Padre convida toda a juventude, em especial aquela que estará presente aqui na cidade do Rio de Janeiro, a empreender os esforços necessários para que esse maravilhoso momento de graça produza os frutos para os quais se destina.

A Jornada Mundial da Juventude, de acordo com o próprio texto da carta do Papa, é, acima de tudo, uma chamada urgente. Assim ele se expressa por reconhecer nos jovens a esperança do amanhã tanto em relação à Fé Cristã quanto em relação à sociedade de modo geral. Em outras palavras, são os jovens que, recolhendo o melhor do exemplo e do ensinamento de seus pais e mestres, irão constituir a sociedade do amanhã. E o Santo Padre recorda o texto da mensagem conciliar que depende da juventude “salvar-se” ou “perecer” na construção desse “amanhã”.

Essa consciência deve estar arraigada na juventude não de modo efêmero, mas de modo perene. Embora muitos pensem ou afirmem o contrário, a juventude em geral não é irresponsável ou adepta de uma instabilidade de vida, mas sim desejosa de dias melhores, comprometida com o seu amanhã, e, com isso, empreendedora de inúmeros esforços para obter suas conquistas. Nessa perspectiva, a novidade de Cristo, que ama, nos ensina a amarmo-nos mutuamente e nos impele a transmitir a essência e a beleza desse seu amor a todos, pode e deve ser a motivação do ímpeto juvenil que protagoniza a busca pela civilização do amor.

Atualmente, vivemos numa sociedade em que o progresso técnico e a globalização nos permitem empreender grandes coisas em favor do futuro, sobretudo no que tange à aproximação de pessoas e nações. Todavia, a forte inclinação ao materialismo, que o uso desses meios pode gerar, deve deixar em nós a observância em primeiro lugar do preceito do amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

A atualidade dessa verdade e a necessidade desse anúncio acerca do amor que nos une a Deus e entre nós mesmos é perceptível no nosso dia-a-dia. É urgente testemunhar Cristo, a fim de que o mundo não só creia Nele, mas se configure a Ele. Trata-se da atualidade do mandato de Cristo aos apóstolos, que perenemente ecoa na Igreja e deve ecoar nos corações de todos nós, sobretudo nos coração da juventude: “ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”. (Mc 16)

Entretanto, como empreender este anúncio? Como ser missionário? Em primeiro lugar, significa ser discípulo de Cristo e ser dócil àquilo que Ele nos ensina. O discípulo é aquele que aprende e realiza tudo aquilo que seu mestre ensina e, de modo muito mais eminente e significativo, com a Fé Cristã acontece assim. A vivência da Fé exige de nós uma configuração, uma docilidade desmedida aos ensinamentos do Mestre e, sem dúvida, o primeiro e o maior dos ensinamentos que Dele aprendemos é o amor. Esse amor de Deus, contudo, só se conhece e se permite difundir se com Cristo estabelecermos acima de tudo uma profunda e sincera amizade.

Todos os que sabem viver uma verdadeira amizade sabem que, entre amigos, a base fundamental do progresso de uma amizade é transparência e docilidade para com a pessoa do amigo. A amizade também supõe o conhecimento mútuo. Temos certeza de que o Senhor nos conhece; todavia, precisamos não nos cansar de buscar conhecê-Lo, a fim de que, conhecendo-O, nos configuremos a Ele de tal forma que nos tornemos imagens vivas do seu amor e de sua propagação ao nosso próximo.

“Temos que conhecer a nossa fé assim como um especialista em informática domina o sistema operacional de um computador; compreendê-la como um bom músico entende a partitura” – diz-nos o Santo Padre. Pois bem, o ponto de partida para esse conhecimento é a meditação da Palavra de Deus e o conhecimento dos alicerces da nossa Fé, que, mediante o Catecismo, obtemos. Somente conhecendo o que nos congrega em torno de Cristo podemos levá-Lo ao mundo. Não podemos nos fechar em nós mesmos; a juventude necessariamente não pode fechar-se em si mesma. É preciso que ela esteja pronta a levar adiante a Fé que vive, mudando os hábitos e convertendo as diversas realidades tanto pessoais quanto sociais. Nessa perspectiva, o Santo Padre convida a juventude a empreender, de modo mais solícito, seu empenho missionário em dois pontos caracteristicamente fortes de nosso tempo: os meios de comunicação, sobretudo a internet, mas também a mobilidade.

Verdadeiro e vasto continente são os meios de comunicação, e torna-se sempre urgente de nossa juventude, dominadora de seus mecanismos, a sua evangelização e a sua transformação. A mensagem de Cristo deve ser feita nos meios de comunicação, pois é uma das melhores formas de corresponder ao apelo urgente de levar Cristo ao mundo. São muitas as oportunidades, e também neles (meios de comunicação) o desafio fundamental que temos pela frente, de mostrar a capacidade da Igreja para promover e formar discípulos e missionários que respondam à vocação recebida e a comuniquem por toda parte, transbordando de gratidão e alegria o dom do encontro com Jesus Cristo" (cf. Documento de Aparecida, 14).

Nesse sentido, o olhar da juventude deve voltar-se também para aqueles que vivem em situação de mobilidade. O dia-a-dia muitas vezes exige das pessoas o ir e vir entre várias localidades, seja por motivos de estudo, trabalho, ou mesmo de afazeres diversos. A essas pessoas, é necessário que a mensagem da Fé Cristã chegue e acompanhe-as. É preciso que reconheçam em Cristo a motivação e a alegria para a jornada travada no dia-a-dia, que se aproximem dele como de um amigo e partilhem com ele o seu interior. Diante disso, eis a responsabilidade da juventude: – e caminhada para a próxima Jornada Mundial – abraçar o desafio de testemunhar a liberdade e a felicidade que provém de Cristo em um mundo tão conturbado de valores e tão dominado pela instabilidade do dia-a-dia.

Em suma, é preciso que tenhamos consciência de que “a evangelização autêntica nasce sempre do encontro com o Senhor: para poder falar de Deus, devemos primeiro falar com Deus.” (n.6) Somente no constante diálogo com Deus tanto será possível testemunhá-Lo da melhor forma quanto resistir às possíveis adversidades que tal anúncio pode trazer àqueles que a Ele se dedicam espontânea e generosamente. Para isso, não esqueça a nossa juventude da suprema e fundamental importância de uma verdadeira vida eucarística, que se dá mediante a participação regular e sincera na Missa dominical e nos demais dias em que houver condições. A Eucaristia é a fonte da missão da Igreja e somente nela podemos receber o impulso e o sustento necessário para a nossa vida de modo pessoal, bem como para a missão a que todos nós somos chamados a empreender. A nossa fé trata-se de um “tesouro guardado em vasos de barro para que todos reconheçam que este poder extraordinário vem de Deus e não de nós” (cf. 2 Cor 4,7).

Portanto, que neste momento em que a Jornada Mundial da Juventude retorna à América Latina e chega pela primeira vez à nossa nação, a juventude é convocada a testemunhar as razões pelas quais nosso continente é chamado “continente da esperança”. De modo muito particular, a cidade do Rio de Janeiro, a “cidade maravilhosa”: temos o desafio de sublinhar com um testemunho concreto que, além das belezas naturais, a nossa cidade possui a beleza de um povo de fé e uma juventude apaixonada por Cristo, que não mede esforços para levar a todos a maravilhosa experiência do amor que Dele provém, mediante a sincera amizade a que todos são chamados a estabelecer com Cristo.

Eis o apelo de Cristo ao qual somos chamados a corresponder, caros jovens, e nas mãos de todos vocês está a intensidade da correspondência ao Senhor: “Ide e fazei discípulos entre as nações.” (cf. Mt 28,19)

† Orani João Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ