Identidade do professor universitário católico

Apresentada no Congresso de Docentes Universitários Católicos em Roma

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CIDADE DO VATICANO, domingo, 24 de junho de 2007 (ZENIT.org).- Os quatro elementos que caracterizam a identidade do professor universitário católico hoje são o «otimismo antropológico», a «visão sacramental do mundo», a «tensão existente entre tradição e razão» e a ênfase na «unidade do saber».



Estas dimensões foram apresentadas no sábado pelo professor Joan-Andreu Rocha Scarpetta, durante a sessão que a Conferência Episcopal Espanhola dedicou ao mundo universitário, no marco do Congresso de Docentes Universitários Católicos que terminou no domingo em Roma e que reuniu milhares de professores europeus, trezentos dos quais são espanhóis.

Joan-Andreu Rocha, teólogo e historiador, expôs a identidade e a missão do docente universitário católico na Sala Magna da Universidade Pontifícia Gregoriana de Roma e o fez recordando a figura do professor historicamente, desde a época patrística à pós-moderna.

Rocha Scarpetta, que leciona no Ateneu Pontifício Regina Apostolorum, na Universidade Européia de Roma e na própria Gregoriana, ressaltou como «um dos aspectos característicos do catolicismo é sua percepção otimista do ser humano e seu ser-no-mundo, ou seja, da cultura, que contrasta com as posições pós-modernas do nada e do vazio».

O otimismo antropológico «não pode confundir-se com a ingenuidade» -- advertiu este professor espanhol --, e exige uma «capacidade hermenêutica aguda». «O mal não pode ser ignorado» -- recordou --, mas por sua vez «este não pode diminuir o bem que germina».

«Um aspecto característico do mundo secular contemporâneo apresenta uma percepção da realidade que podemos chamar de sacramental», explicou este docente de teologia das religiões.

«A percepção da sacramentalidade do mundo implica a capacidade de admirar-se e o risco da busca de sentido», recordou Rocha Scarpetta, que dirige o Mestrado em Igreja, Ecumenismo e Religiões no Ateneu Pontifício Regina Apostolorum.

«Um verdadeiro intelectual católico -- como deve ser um docente universitário -- deve, não só não ignorar, mas aprofundar nas correntes de pensamento que se desenvolvem em diversos âmbitos culturais», alertou.

Este docente apelou à «memória familiar» necessária na tradição católica, que seria composta pelos «personagens e obras que no campo intelectual forjaram novas idéias, desenvolveram novas respostas».

«Precisamente em um momento em que a memória parece desvanecer-se na crise da história, propiciada em parte pelo pragmatismo tecnológico, a lembrança de quem se esforçou pela busca da verdade à luz da fé e da razão se torna mais necessária» -- disse--, citando, por exemplo, o testemunho de professores católicos como Alberto Magno.

O mundo contemporâneo se caracteriza, entre outras coisas, pela «fragmentação das esferas da vida em diversos subsistemas autônomos, onde cada subsistema cria sua própria lógica», ilustrou.

«A tradição intelectual católica, pelo contrário, busca um significado unitário e integral através das diversas disciplinas, onde os diferentes aspectos que compõem a identidade humana não se encontram desligados entre si, mas solidamente relacionados.»

Depois de recordar a importância da filosofia na formação do professor universitário católico, Rocha Scarpetta terminou sua palestra alentando a prática da «caridade intelectual» como a comunicação do tesouro da verdade, à luz da qual a identidade se oferece como «um dom».