Ignorância e relativismo moral, inimigos do ecumenismo

Iniciam os trabalhos da III Assembléia Ecumênica Européia de Sibiu

| 808 visitas

SIBIU, sexta-feira, 7 de setembro de 2007 (ZENIT.org).- O cardeal Peter Erdo, presidente do Conselho de Conferências Episcopais da Europa (CCEE), exortou os participantes na III Assembléia Ecumênica Européia (EEA3), que acontece em Sibiu, Romênia, a dar a conhecer o cristianismo em sua verdadeira essência e a combater o atual relativismo moral entre os cristãos das diversas confissões.



Durante o discurso de abertura, em 5 de setembro, o cardeal Erdo, presidente de um dos dois organismos eclesiais promotores do evento, disse que «a primeira tarefa que temos também aqui em Sibiu é aprofundar e viver o cristianismo».

«Com freqüência, constatamos com dor até que ponto o cristianismo é hoje pouco conhecido na Europa em sua verdadeira essência – declarou –. Circulam muitas máscaras do cristianismo, com freqüência conscientemente falsas».

«Creio que o primeiro grande obstáculo ao ecumenismo é a ignorância sobre o cristianismo e a superficialidade da vida cristã», acrescentou, sublinhando a urgência de «que o caminho ecumênico seja um espaço de aprofundamento espiritual e teológico».

O purpurado afirmou também, como ulterior tarefa ecumênica urgente, «a de confrontar-nos juntos com a modernidade e a secularização. As comunidades cristãs do Leste e do Oeste têm experiências diversas. Temos algo a aprender uns dos outros».

Destacou o «subjetivismo» que se vive atualmente, em um momento no qual é «importante sublinhar o sentido e o valor objetivo de muitas coisas e comportamentos humanos» e «mostrar juntos que o Evangelho é capaz de dialogar com cada cultura e tem a força de enriquecer toda cultura».

No mesmo dia, o metropolita Kirill, de Smolensk e Kaliningrado, presidente do Departamento para as Relações Exteriores do Patriarcado ortodoxo de Moscou, falou de uma falta de homogeneidade entre as diversas confissões cristãs acerca da concepção do homem e das normas morais que devem guiá-lo.

Constatando que «algumas comunidades cristãs revisaram unilateralmente ou estão revisando as normas de vida definidas pela palavra de Deus», o metropolita perguntou: «Por que está acontecendo justo hoje, nos inícios do século XXI? Por que alguns círculos cristãos chegaram a favorecer tanto a idéia de normas morais em evolução?».

Neste sentido, afirmou que «há uma coincidência suspeita entre a nova postura ante a moralidade nos círculos cristãos e a difusão do paradigma pós-moderno na sociedade secular. O pós-modernismo, em sentido amplo, implica uma compatibilidade de visões e posições incompatíveis».

«Talvez esta postura esteja justificada em algumas esferas da sociedade, mas não pode ser justificada pelos cristãos no reino da moralidade. Os crentes não podem reconhecer ao mesmo tempo o valor da vida e o direito à morte, o valor da família e a validade das relações entre pessoas do mesmo sexo, a defesa dos direitos das crianças e a deliberada destruição de embriões humanos com fins médicos», sublinhou.

O metropolita Kirill insistiu na necessidade de os cristãos defenderem «as normas éticas» comuns e buscar aliados em outras religiões que comportam posturas morais semelhantes.

Desta forma, sugeriu que os cristãos podem também encontrar apoio em «pessoas leigas que têm uma visão não religiosa mas apóiam normas morais similares às cristãs».

Para alcançar este objetivo, o metropolita disse que as comunidades cristãs deveriam trabalhar com a opinião pública e manter um diálogo com as estruturas nacionais e internacionais.