Igreja a favor dos direitos dos imigrantes na América

Reunião dos bispos do continente em Washington

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Por Nieves San Martín

WASHINGTON, quarta-feira, 16 de junho de 2010 (ZENIT.org). - Os bispos participantes da Cúpula Regional sobre Imigração das conferências episcopais da América, realizada em Washington, emitiram um comunicado conjunto no qual lançam um apelo à proteção, hospitalidade, serviço e justiça no que se refere aos imigrantes, segundo informou na última terça-feira a Conferência Episcopal dos EUA.

Na reunião, os bispos abordaram uma série de questões relacionadas ao tema - como o fomento ao desenvolvimento sustentável, a violência, o tráfico de drogas e de seres humanos, bem como a proteção aos imigrantes e refugiados - enfatizando que, no seu entender, deveriam ser tratados como problemas de nível regional.

Os prelados fizeram ainda um apelo ao congresso dos EUA e à administração Obama para que façam valer a tradição do país de ser uma nação de imigrantes, e que "reformem as leis de imigração dos EUA de forma a permitir que os imigrantes, que trabalham tão arduamente na economia norte-americana, desfrutem de proteção legal".

Asseguraram, em uma clara referência à lei recentemente promulgada no Arizona, que uma tal reforma "eliminaria a necessidade de leis estatais ou locais que criminalizem os imigrantes que não tenham sido admitidos de maneira legal". Além disso, "poria um fim às deportações que separam as famílias."

O evento reuniu bispos dos EUA, México, Canadá, Guatemala, Honduras, Panamá, Nicarágua, Costa Rica, Cuba, República Dominicana e Haiti. Contou ainda com a participação de Dom Antonio María Veglió, presidente do Conselho Pontifício para os Imigrantes e Itinerantes, bem como de representantes do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM) e do secretariado Latino-Americano e Caribenho da Rede Cáritas (SELACC).

Em sua declaração, datada de 4 de junho, os bispos participantes afirmam também fazerem-se "portadores do chamado do Santo Padre aos organismos internacionais e nacionais para que se resolvam os problemas cruciais de seguridade e desenvolvimento para o benefício de todos", segundo eles, alguns dos "principais fatores que contribuem para a decisão de emigrar".

"É uma realidade que neste hemisfério - prosseguem - a dignidade humana dos imigrantes segue sendo violada por sistemas governamentais ou não, nas nações do origem, trânsito, chegada e retorno".

"Imigrantes, refugiados e pessoas em busca de asilo encontram um calvário; são maltratadas e exploradas, tanto por funcionários dos governos e autoridades policiais, como por contrabandistas e criminosos, algo que se mostra paradoxal se considerarmos que estes irmãos e irmãs buscam escapar da miséria, de desastres naturais, violências e perseguições".

"O aumento do tráfico de seres humanos em toda a região constitui um terrível mal, que vitima homens, mulheres, adolescentes e crianças", acrescentam.

"É importante reconhecer que, ao mesmo tempo, muitos membros da Igreja e outras pessoas de boa vontade têm trabalhado arduamente para proteger os direitos dos imigrantes, e se dedicam a influenciar a mudança nas leis para que assegurem a proteção dos direitos humanos mais elementares".

"Como Pastores, unidos a eles, buscamos sensibilizar os governos, a sociedade civil sobre a dura realidade da imigração, e a necessidade de mostrar compaixão e justiça para aqueles menos favorecidos", afirmam ainda os prelados.

Assim, os bispos destacam, entre os temas prioritários a serem abordados em nível regional, com a cooperação de todos os governos: o fomento ao desenvolvimento sustentável em todo o hemisfério; os fatores econômicos que promovem a violência; a proteção das pessoas vulneráveis em trânsito; o combate ao tráfico de pessoas; a ajuda ao Haiti.

"Como pastores de milhões de católicos neste hemisfério, temos a obrigação de defender os direitos de todos os membros de nosso rebanho, especialmente dos mais vulneráveis", sublinham.

E concluem: "Exortamos todos os fiéis das comunidades católicas de nossas nações a se solidarizarem-se com os imigrantes, empenhando-se por um tratamento mais justo e humano dos mesmos".

A íntegra da declaração (em espanhol) está disponível no endereço:

http://www.usccb.org/comm/archives/2010/10-118sp.shtml.