Igreja celebra ano 2000 na Etiópia com chamado à esperança

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ADDIS ABEBA, sexta-feira, 14 de setembro de 2007 (ZENIT.org).- A celebração do Jubileu do ano 2000 é, para a Igreja na Etiópia, uma ocasião para lançar um chamado à esperança no provado país do Chifre da África.



Cerca da metade dos mais de 71 milhões de habitantes da Etiópia é muçulmana; os ortodoxos representam, por sua vez, entre 35% e 40% da população etíope.

A Igreja Católica esteve presente na Etiópia desde o início da cristandade, ainda que múltiplos fatores fizeram de sua expansão uma tarefa não fácil.

Ainda que a porcentagem de católicos no país é reduzida – menos de 1% –, em proporção, a Igreja Católica é muito ativa através da rede de suas instituições, e mais de cinqüenta congregações religiosas unem seu trabalho à vida eclesial local.

Na terça-feira, a Etiópia celebrou o início do ano 2000, segundo o particular calendário etíope, baseado em antigos cálculos astronômicos egípcios dos calendários copto, hebreu e juliano. Diversas liturgias e iniciativas paroquiais marcam, na Igreja local, esta celebração.

«Este ano representa muito», reconhece aos microfones da Rádio Vaticano o arcebispo metropolitano de Addis Abeba, Dom Berhaneyesus Demerew Souraphiel, CM.

«No domingo se celebrará uma Missa Solene aqui, na catedral católica de Addis Abeba, com todos os bispos da Etiópia – anuncia. Durante a celebração, receberemos a cruz abençoada pelo Papa em Loreto, que depois levaremos a todas as dioceses como um sinal do fato de que a Etiópia é um país cristão, antiqüíssimo, e que Nosso Senhor Jesus Cristo sempre o protegeu.»

Sublinha também que «este milênio representa uma ocasião especial para dar a conhecer a Etiópia não como um país onde há fome, seca, mas como uma nação que agora está mudando verdadeiramente através do caminho do desenvolvimento».

«E a Igreja tem um grande papel neste processo – reconhece –, orientado a mostrar uma imagem diferente da Etiópia; a Igreja deseja fazer que as pessoas aprendam a olhar para o futuro com esperança.»

De acordo com o prelado, durante este jubileu a mensagem que a Igreja deseja transmitir aos cristãos é de que sejam fiéis à sua fé, que aprofundem nela, que a vivam pessoalmente, que compartilhem a espiritualidade etiópica e ofereçam hospitalidade os pobres, aos enfermos, sobretudo aos que padecem Aids, e que sejam «esperança para este país até agora conhecido como um país pobre, mas que não é pobre espiritualmente».

«Queremos também dizer a nossos fiéis que vivam aqui, que não procurem transladar-se ao Oriente Médio, Europa, América, porque lá tampouco existe o paraíso – acrescenta o arcebispo de Addis Abeba. Devem mudar a situação aqui através da educação, da saúde, do desenvolvimento.»

«Olhando o futuro, desejamos e oramos pela paz, porque é o fundamento para o desenvolvimento, para modificar as coisas, para conviver com nossos vizinhos», sublinha o prelado, apontando o fato de que essa região do noroeste da África padece instabilidade política.

Por isso, «queremos mudar esta situação, a fim de que as pessoas e as nações possam conviver pacificamente: isso conduzirá a soluções permanentes – declara. A Igreja trabalha com todas as organizações católicas por este objetivo e estamos verdadeiramente felizes e orgulhosos de ser parte da Igreja Católica universal».

«Onde quer que a Igreja Católica esteja presente, faz parte da Igreja universal», conclui.