Igreja continua sendo pastora, profeta e mãe dos migrantes

Fala a missionária scalabriniana Leticia Gutiérrez Guadarrama, secretária executiva

| 992 visitas

Por Gilberto Hernández García

QUERÉTARO, terça-feira, 1º de setembro de 2009 (ZENIT.org-El Observador).- Os migrantes –mais que remessas, problemas, muros, leis migratórias– são pessoas, com alegrias, esperanças, riquezas, contribuições culturais e econômicas para o povo que os acolhe, explica uma missionária que dedicou a vida a atender estas pessoas no México. 

No próximo domingo, 6 de setembro, acontece no México a Jornada Nacional do Migrante, sob o tema São Paulo migrante, Apóstolo dos Povos, promovida pela Pastoral da Mobilidade Humana (PMH) do episcopado. 

A missionária scalabriniana Letícia Gutiérrez Guadarrama, secretária executiva da PMH, conversa com Zenit-El Observador sobre o complexo fenômeno da migração e as ações que a Igreja no México vem desenvolvendo a favor dos migrantes. 

–Por que a Jornada do Migrante é celebrada no primeiro domingo de setembro?

–Leticia Gutiérrez: Na Igreja a Jornada do Migrante é no segundo domingo de janeiro; mas solicitamos ao Conselho Pontifício para os Migrantes e Itinerantes que permitisse, por questões pastorais, celebrarmos nesta data, pois em todas estas Conferências Episcopais a celebração do dia do Migrante já acontece nessa data.

Para nossa gente aqui no México é o desafio. Em alguns lugares a celebração é realizada conforme suas realidades, pois em algumas dioceses acontece em dezembro, que é quando retornam os mexicanos ou como os chamam nas paróquias “os filhos ausentes” e em outros lugares aproveitam julho-agosto, quando costumam também vir nossos irmãos e irmãs mexicanas. 

–Quais são os “temas” mais importantes na agenda de Pastoral da Mobilidade Humana no México?

–Leticia Gutiérrez: Há um trabalho árduo com o tema dos migrantes em trânsito. A Igreja no México tem cerca de 50 casas-albergues para migrantes na rota mais usada pelos migrantes que passam por nosso território e, sem dúvida, ali se faz a primeira missão, que é dar-lhes de comer, hospedá-los, oferecer-lhes descanso. A situação dos deportados também é uma preocupação para a Igreja, pois as pessoas regressam sem muitas alternativas de desenvolvimento.

–Que ações coordenadas se realizam a favor dos migrantes?

–Leticia Gutierrez: Nos últimos anos o trabalho da Igreja pela defesa dos direitos humanos foi muito preciso, sobretudo no tema dos migrantes em trânsito; de fato, o Informe Especial de Sequestros a Migrantes que a Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) emitiu foi uma colaboração de ambas instituições. 

Outro tema que trabalhamos muito é a promoção de projetos produtivos nas comunidades de origem, assim como o trabalho de busca de mexicanos nas prisões, nos centros de detenção e a extradição de falecidos mexicanos.

A Igreja teve uma aproximação com a Secretaria de Governo, sobretudo com o Instituto Nacional de Migração, para buscar linhas de ação que permitam que não se esqueça que os migrantes são pessoas; e que nos permita continuar realizando a missão com a população migrante.

–Sabemos que muitos agentes da pastoral de migrantes, devido a seu trabalho específico, muitas vezes são hostilizados pelas autoridades. Qual é a situação com respeito a este assunto?

–Leticia Gutiérrez: É verdade. O tema da migração se converteu em “ouro puro” e é buscado pelas gangues locais, o crime organizado e algumas autoridades locais, estaduais e federais; isto colocou um grande número de agentes em situação de ameaças, de hostilidade e de expôr a vida para defender a vida e direitos dos migrantes.

A Igreja aqui desempenha um papel muito importante, mesmo caminhando com prudência. Não se deteve através dos agentes da pastoral em sua missão de ser profeta, pastora e mãe daqueles que vivem uma situação de vulnerabilidade pelas condições legais que não lhes permitem ser considerados pessoas, sujeitos a direitos e obrigações.