Igreja e sociedade civil contra “Clínica da Mulher” na Colômbia

Bispos e cidadãos reagem perante um projeto com o fundo de ideologia de gênero

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MEDELLÍN, quinta-feira, 3 de setembro de 2009 (ZENIT.org).- Representantes da Igreja e da sociedade civil levantaram a voz contra a “Clínica da Mulher” que a prefeitura de Medellín começará a construir nos próximos dias, no setor de Aranjuez, um dos bairros mais pobres desta cidade colombiana.

O enfoque deste centro hospitalar seria dar às mulheres de escassos recursos as bases da chamada “saúde sexual e reprodutiva” sob a ideologia de gênero.

Os doze bispos das províncias eclesiásticas de Medellín e Santa Fé de Antioquia publicaram uma mensagem na qual deploram que se destinem oito milhões de dólares para criar um centro para realizar abortos.

Dentro dos serviços que a Clínica da Mulher oferecerá está a prática do aborto nos casos despenalizados pela Corte Constitucional Colombiana no ano 2006: quando a gravidez constitui perigo para a vida ou a saúde da mãe, quando exista grave má formação do feto que faça inviável sua vida e quando a gravidez for resultado de estupro. Contudo, este centro de saúde não atenderá partos, cesáreas nem cuidados na gravidez.

Perante o projeto de criação do centro, surgiu o grupo virtual "Antioquia Provida", no qual milhares de membros se uniram para pedir esclarecimento como rede de cidadãos inconformados com tais atropelos e propor ações novas, sob um enfoque de respeito pela vida de todos os seres humanos. Esta iniciativa pretende também formar para a cidadania.

ZENIT entrevistou a jovem Beatriz Campillo, estudante de Ciências Políticas da Universidade Pontifícia Bolivariana, uma das impulsoras deste projeto, que realizou também uma campanha de informação através da associação de formadores de opinião pública Estoesconmigo.org.

Defesa da vida não se reduz ao aborto

Beatriz explica seu compromisso esclarecendo que “deve-se defender com paixão a vida, desde a concepção (ou fecundação) até a morte natural; assim como a família. É importante esclarecer que a defesa da vida não se reduz ao tema do aborto”.

“Sou estudiosa da política e pude ver as estratégias que historicamente o poder empregou para alcançar seu interesse, uma muito comum é negar a condição de pessoa a alguém para utilizá-lo ou eliminá-lo”, continua explicando a universitária.

“A história da humanidade tem de ser mais que a história da tortura, e creio que a própria cultura nos permitiu alguns avanços importantes que não podemos perder. A vida de cada ser humano é inviolável. Não podemos ser ingênuos, nem toda mudança é progresso”, continua explicando. 

Pelo que se refere à construção da clínica de Medellín, Beatriz reconhece que “há uma grande desinformação e confusão. A prefeitura guardou silêncio, e em suma temos dados técnicos, algumas declarações de funcionários públicos e os correios massivos que enviaram como resposta à campanha de “Esto es conmigo”, onde não há mutos dados novos, mas se ratifica a prática do aborto.

Eufemismos e informação

A estudante considera que em torno à informação sobre a clínica acontece também um debate terminológico, no qual se utilizam eufemismos. 

“Os eufemismos são muitos, e vão desde o próprio nome o IVE (aborto), também falam de ‘interrupção’ como se fosse um processo que pudesse ser reiniciado depois. Outro eufemismo é a ‘ideologia de gênero’, que prega a existência de cinco gêneros e se vai ao extremo de atacar a própria natureza humana ao desconhecer a existência de dois sexos biologicamente definidos (homens e mulheres) e reduz tudo a uma mera construção cultural”.

“No caso da clínica o ‘feminismo de gênero’ se enfoca em defender os ‘direitos sexuais e reprodutivos’, que por sua vez são outro eufemismo que bem poderia resumir-se em aborto, esterilização e anticoncepção, condutas que obviamente vão encaminhadas a reduzir a natalidade”. 

“Ali, por exemplo, aparece outro de caráter malthusiano, pensar que somos muitos, o que sem dúvida leva a uma eugenia, que também reforça o equivoco de ‘eliminar a pobreza eliminando o pobre”, conclui Beatriz.

“Isto sem contar que se fala de dignidade humana em termos utilitaristas, acabando por completo com a ideia de que a dignidade é algo intrínseco e inerente à pessoa, que não se ganha, nem se perde, e que tampouco tem níveis ou graus”, sublinha.