Igreja em Portugal estuda ampliar ação social

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FÁTIMA, quinta-feira, 11 de novembro de 2010 (ZENIT.org) – Os bispos de Portugal estudam a criação de um observatório nacional de ação social, para identificar melhor as necessidades da população em tempo de crise.

Foi o que adiantou nessa quarta-feira aos jornalistas o padre Manuel Morujão, secretário da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), ao informar sobre a assembleia plenária do organismo, que decorre em Fátima.

Segundo informa Agência Ecclesia, os grandes objetivos do Observatório seriam, diante do aumento dos pedidos de ajuda por parte da população, identificar necessidades e gerir apoios.

“A Igreja, quando vê que pode ajudar, deve ajudar e é isso que quer fazer”, disse o secretário da CEP.

“A ação social da Igreja é uma fatia da resolução da crise com um dinamismo e uma amplidão espantosa”, afirmou.

Algumas áreas contempladas pelas ajudas de emergência são alimentação, vestuário, moradia e medicamentos.

Nesse contexto de ação assistencial está também a regulamentação do Fundo Social Solidário, que, anunciado em julho, recolheu até o momento cerca de 62 mil Euros, um montante que a CEP espera que “vá engrossando”.

“Os pedidos às várias instituições ligadas à Igreja têm crescido, nalguns pontos têm crescido para o dobro nestes últimos meses”, afirmou padre Morujão, alertando para a “pobreza envergonhada”.

Crise econômica

Em comunicado divulgado pela CEP nesta quinta-feira, ao final de sua assembleia plenária, os bispos convidam todos a enfrentar a “grave situação que o nosso País atravessa, inevitavelmente prolongada”, com “espírito patriótico de coesão responsável”.

“O bem comum da nação assume prioridade nos critérios da construção do nosso futuro. Lucros indevidos, meros proveitos eleitorais e resultados oportunistas não servem a recuperação nacional”, afirmam os prelados.

Segundo a CEP, “as medidas de austeridade, para merecerem acolhimento benévolo dos cidadãos, têm de ser acompanhadas de forte intervenção na correção de desequilíbrios inaceitáveis e de provocantes atentados à justiça social”.

“É hora para pôr cobro à atribuição de remunerações, pensões e recompensas exorbitantes, ao lado de pessoas a viver sem condições mínimas de dignidade.”

“Os Bispos propõem caminhos de conversão, dentro do autêntico espírito evangélico, como grande esperança para o futuro. Todos devem sentir-se responsáveis pelas causas motivadoras da atual situação, uma vez embarcados no consumismo do supérfluo e seduzidos pelos bens materiais como centro de uma vida feliz.”

“É hora para repensar as atitudes éticas e cívicas com lucidez vigorosa, com coragem para congregar as energias necessárias no esforço de reformas profundas no estilo de vida, e alicerçada com esperança no humanismo aberto à transcendência e para muitos alimentada no Pai comum que a todos irmana”, afirma o comunicado.

A CEP compromete-se “a um trabalho de coordenação e articulação dos diversos organismos eclesiais, presentes em cada diocese, para corresponderem com qualificada vitalidade e competente prontidão às situações dos mais desfavorecidos”.