Igreja exorta a reforçar pastoral de rua

Documento final do 1º Encontro Europeu sobre esta realidade

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Por Roberta Sciamplicotti

ROMA, sexta-feira, 6 de novembro de 2009 (ZENIT.org).- Usuários das estradas e ferrovias, mulheres e crianças de rua e pessoas sem teto são as 4 categorias de pessoas frente às quais a Igreja deve promover uma pastoral cada vez mais atenta às suas necessidades e disposta a fazê-las sair de situações de discriminação e de penúria.

Assim indica o documento final do 1º Encontro Europeu Integrado de Pastoral de Rua, realizado em Roma, de 29 de setembro a 2 de outubro, sobre o tema “O próprio Jesus se aproximou e caminhou com eles (Lc 24, 15). Pastoral de Rua: um caminho juntos”.

No encontro, participaram diretores nacionais, representantes de conferências episcopais e vários especialistas procedentes de 15 países europeus, um representante da Soberana Ordem Militar de Malta de delegados de várias associações e movimentos.

Conclusões

O documento final do congresso, enviado a Zenit pelo Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, inclui 57 conclusões que partem da constatação de que a pastoral da rua “constitui um testemunho profético” e que, “quando volta para a rua, onde nasceu, o Evangelho expressa toda a sua força, de muitas maneiras”.

As conclusões se referem, em primeiro lugar, aos usuários das estradas e das ferrovias, destacando que, em uma sociedade na qual o tráfego está em constante aumento, verifica-se “uma competição cada vez mais dura”, que provoca “um aumento de tensões psicológicas e físicas em um grande número de caminhoneiros”.

Para enfrentar problemas como “horários de trabalho irregulares, longas ausências da família, diminuição ou desaparecimento das relações sociais e amizades”, a Igreja desenvolve respostas pastorais específicas.

Ao mesmo tempo, recorda que, para muitos trabalhadores das estradas, “existe um perigo constante de solidão e isolamento” e, portanto, é necessária uma maior atenção.

As conclusões recordam depois a situação das mulheres de rua, “frequentemente pessoas com múltiplos problemas (drogas, moradia, questões psicológicas, AIDS)”, que precisam de uma “variedade de respostas pastorais integradas”.

Atualmente, reconhece o texto, presta-se uma atenção excessiva às questões que se referem às maneiras de intervir, mais que à prevenção destes problemas.

“No caso das mulheres vítimas do tráfico de pessoas, é muito importante proporcionar às vítimas potenciais uma assistência antes da saída e uma informação sobre uma migração segura.”

Igualmente, as conclusões tratam do problema da pastoral de crianças de rua, que estão aumentando “por causa da desintegração familiar e do aumento da mobilidade”.

A Igreja deve promover uma nova visão destes jovens contra os estereótipos existentes, ajudando as pessoas a “verem muito além do elemento criminal que frequentemente caracteriza estas crianças, vendo nelas positivas possibilidades futuras”.

As conclusões se referem, finalmente, à pastoral das pessoas sem teto, indicando que a Igreja deve “prestar atenção a este problema, com o objetivo de criar formas de relação e coordenação dos recursos disponíveis”.

Neste contexto, “é importante permitir às pessoas sem teto que acabem com o ciclo da vida nas ruas”, trabalhando com elas “no lugar e no ritmo de sua escolha, respondendo imediatamente às possibilidades de intervenção”.

“As razões que levam as pessoas a viverem nas ruas são muitas e variadas – admite o texto. É necessário um enfoque pastoral de escuta e compaixão, que permita compreender sua história sem um juízo moral imediato.”

Recomendações

O documento indica que a força do Evangelho é “explosiva e imparável” e, para os que se encontram nas ruas, “sempre é importante realizar gestos que sejam reconhecíveis e compreender que nós também podemos receber o Evangelho através deles”.

Também convida, em primeiro lugar, a desenvolver uma pastoral dos usuários das estradas e ferrovias que “inclua a educação, particularmente dos jovens, na responsabilidade na condução e na segurança”.

Entre as diversas iniciativas, “também deve ser estimulado o desenvolvimento de emissoras de rádio cristãs”.

Com relação às mulheres de rua, recorda-se que as intervenções “devem ser sempre pessoais, com referência constante ao indivíduo, que tem um rosto e uma história únicos”, e que “estabelecer uma relação de confiança é essencial”.

Também se deverá dedicar uma atenção particular à formação dos agentes pastorais, concretamente do clero e das comunidades religiosas masculinas, para seu trabalho com a parte da demanda de prostituição, promovendo um estilo de vida “que respeite a sexualidade como parte constitutiva e nobre dos seres humanos e não como algo que pode ser comercializado ou alienado”.

A Igreja deve ser também a voz dos meninos de rua, prestando especial atenção à prevenção, “através de uma conscientização dos problemas que levam uma criança a morar na rua” e favorecer a própria responsabilidade das pessoas sem lar para sua reinserção.

“É importante recordar que as pessoas sem domicílio fixo fazem parte da paróquia em que se encontram no momento presente”, conclui o documento.

E acrescenta: “Elas têm direito, portanto, à pastoral ordinária que se oferece e a uma participação, seja do tipo que for”.

Por último, indica que “é necessário recordar que essas pessoas têm direito a uma sepultura cristã, quando se trata de fiéis católicos e, por conseguinte, a uma lembrança na oração”.