Igreja na Argentina pede política integral contra drogas

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BUENOS AIRES, sexta-feira, 28 de agosto de 2009 (ZENIT.org-AICA).- O bispo responsável na Argentina pela pastoral com os usuários de drogas, Dom Jorge Lozano, da diocese de Gualeguaychú, pediu uma política de Estado integral para a problemática da dependência, que contemple aspectos jurídicos, econômicos, sanitários, sociais e educativos.

Ele se manifestou após a decisão desta terça-feira da Suprema Corte do país que poderia abrir caminho à despenalização do consumo privado de drogas, ao declarar inconstitucional a sentença contra cinco jovens que foram condenados por posse de cigarros de maconha.

Segundo o prelado, esta sentença pode ter uma leitura “contraditória e prejudicial”. “Uma questão tão complexa como esta não se resolve com uma decisão da Corte ou com um marco legal, requer uma política integral”, sublinhou em declarações à imprensa.

Após insistir em que “há que evitar tudo que facilite o acesso e consumo por parte dos jovens”, assegurou que a Igreja “não está de acordo com propostas que impliquem aspectos parciais e não integrais para a atenção do vício”.

Não obstante, esclareceu que essa posição não implica “criminalizar” o dependente químico. “Para nós, o dependente é um enfermo, não um criminoso, e como tal não tem de estar no cárcere mas no centro de saúde, para ser atendido e ajudado”, disse.

Já os bispos Dom Francisco Polti, de Santiago del Estero, Dom Adolfo Uriona, de Añatuya, afirmaram que não há que dar mais liberdades ao flagelo da droga. Dom Polti disse que a droga é um mal, e ao mal não há que conceder direitos. 

Dom Uriona considerou que a decisão é como “ir abrindo as portas para algo que causa muito dano a nossa sociedade”. “Me parece que a lei deve ter um fim pedagógico, há que ajudar as pessoas a que descubram o dano do vício”.

Dom Poltri citou um comunicado emitido pelos sacerdotes que atuam na pastoral da saúde da arquidiocese de Buenos Aires. Os padres reconhecem a “boa intenção dos que buscam não criminalizar os dependentes”, mas advertem que no caso das famílias mais vulneráveis, a despenalização implica “deixar o dependente abandonado, não assumir a responsabilidade de seu direito à saúde”.

“A própria dinâmica da adição leva muitas vezes a fazer qualquer coisa para satisfazer o desejo de consumo. O próximo encontro entre o Estado e o dependente de drogas já não será na enfermidade, mas no delito que às vezes nasce dela”, alertaram.