Igreja na Argentina põe em dúvida dados sobre pobreza

Aumenta o número de pessoas que recorrem à Cáritas para pedir alimentos

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Por Nieves San Martín

BUENOS AIRES, quinta-feira, 22 de maio de 2008 (ZENIT.org).- A Igreja na Argentina pôs em dúvida os dados oficiais sobre o índice de pobreza do país.

Segundo indicou o responsável da Pastoral Social, está aumentando o número de pessoas que recorrem à Cáritas para solicitar alimentos. Tudo isso coincide com a Coleta Anual de Cáritas, que acontecerá no domingo 8 de junho.

«Estamos notando um preocupante aumento da pobreza», declarou o presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social, Dom Jorge Casaretto, que pôs em dúvida nesta quarta-feira o sistema de medição oficial sobre a realidade sócio-econômica argentina, em um cenário inflacionário que atinge mais os setores de escassas rendas familiares.

Uma semana depois da presidente Cristina Fernández de Kirchner anunciar uma redução do nível de pobreza, representantes da Igreja puseram em dúvida os dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), baseando-se em conclusões do Observatório Social da Universidade Católica Argentina (UCA).

«Eles acompanham de perto o ponto de vista das estatísticas, mas também nós temos (outro índice) que são nossas Cáritas paroquiais, e elas nos dizem que as pessoas voltam para pedir mais alimento que antes», indicou Dom Casaretto, em declarações reproduzidas pela agência DyN. «Essa percepção nos diz que está aumentando a pobreza», reiterou o prelado.

O estudo da UCA, denominado «Barômetro da Dívida Social Argentina 2008», revela que este ano «se produziu um aumento da desigualdade social».

«Isso é assim dado que o maior progresso econômico se registrou nos estratos médios, ficando retraídos os setores baixos da estrutura social», indica o informe citado pela agência NA.

«A recuperação econômica não favoreceu os lares pobres, mas os estratos médios», indicou a «La Gaceta» Jorge Colina, economista do Instituto para o Desenvolvimento Social Argentino (Idesa), coincidindo com o trabalho acadêmico.

«Em definitivo, pode interpretar-se que o que a Igreja afirma não é mais que um tipo de ausência do Estado, com ações locais, ao estar centralizado o manejo de recursos», sublinhou Colina.

Até agora só há algumas estimativas sobre o nível de pobreza do país até final de 2007. Uma delas foi realizada pela Sociedade de Estudos Trabalhistas (SET), dirigida por Ernesto Kritz. «As consultoras têm uma estimativa, mas a Igreja conta com a experiência da paróquia», indicou o especialista ao jornal «La Gaceta».

Por outro lado, no domingo, 8 de junho, será realizada em todo o país a Coleta Anual da Cáritas, «um convite a toda a sociedade a expressar sua solidariedade com quem ainda em nosso país sofre a pobreza e a postergação», afirma a Cáritas Argentina na informação sobre a campanha.

Com o lema «A desigualdade nos fere. Recuperemos a capacidade de compartilhar», a Coleta propõe «continuar crescendo em co-responsabilidade para ver o que está acontecendo ao nosso redor e compreender que somos parte dessa realidade, assumindo como compromisso pessoal e comunitário a inclusão de todos».

Junto à Coleta que se realizará em todas as paróquias, capelas e centros missionários, algumas Cáritas estão organizando iniciativas de encontro e celebração comunitária, nas quais, através de festivais culturais, esportivos, caminhadas, entre outras atividades, fortaleça-se o diálogo e se renove o modo de compartilhar os bens.