Igreja na Índia: preocupada pelas novas gerações anticristãs

Um líder político convida a “erradicar o cristianismo”

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NOVA DÉLI, quinta-feira, 19 de agosto de 2010 (ZENIT.org) - Uma multidão incontrolada atacou ontem uma escola católica, a St Pius Higher Secondary School, no Estado central indiano de Madhya Pradesh, destruindo o mobiliário e os aparelhos, segundo informa a agência UCAN.

Este novo episódio de violência, supostamente perpetrado por membros da ala estudantil do Bharatiya Janata Party, segundo o Pe. Biju Thiruthanathil, teria sido instigado por alguns dos empregados da própria escola, para pressionar um aumento de salários.

Segundo o secretário de educação da diocese à qual a escola pertence, a de Khandwa, o Pe. Saji V. Kurian nesse momento teria considerado o aumento de salários, mas a diocese havia pedido para que esperassem a chegada do bispo, que estava fora do Estado.

No ano passado, os representantes católicos fizeram uma petição ao Tribunal Supremo de Madhya Pradesh, demandando proteção para os cristãos e suas instituições. Ainda não houve veredicto.

Tensão em Karnataka

Este novo ataque, o 184º desde que o partido radical hindu Bharatiya Janata Party (BPJ) subiu ao poder, renovou a preocupação da Igreja na Índia, especialmente desde que um dos seus líderes políticos, no último dia 15 de agosto, convidou a "erradicar o cristianismo" da sociedade.

Assim revelou Dom Peter Machado, bispo de Belgaum (Estado indiano de Karnataka, mais ao Sul que Madya Pradesh), em declarações a UCAN, sublinhando a preocupação dos cristãos.

O político do BPJ, Prahlad Remani, membro da Câmara Legislativa de Karnataka, afirmou, em um ato realizado por ocasião do 64º aniversário da independência da Índia, que, quando os britânicos deixaram o lugar, "cometeram dois erros: permitiram a partição da Índia e a criação do Paquistão, e deixaram sementes de cristianismo".

"Estas sementes estão sendo espalhadas sistematicamente por meio das instituições cristãs", o que "coloca a nação em perigo" e, por isso, "elas devem ser erradicadas" da região, afirmou Remani diante do seu auditório.

Dom Machado manifestou sua preocupação pela tensão gerada por estas declarações na região, que até agora "havia sido comparativamente pacífica" com relação a outras desse Estado, como Mangalore ou Bangalore, testemunhas de episódios violentos em 2008 e 2009.

"Os cristãos estão assustados", afirmou o prelado - mais ainda após a reiteração posterior de Remani de que continuará com sua campanha anticristã.