Igreja na Indonésia: “governo deve deter extremistas islâmicos”

“Front islâmico de defesa” lança campanha contra a “cristianização”

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ROMA, segunda-feira, 12 de julho de 2010 (ZENIT.org) - A Igreja na Indonésia pediu ao governo que atue para deter os grupos radicais islâmicos no país, defendendo “uma cultura de respeito à dignidade humana, aos direitos e liberdades fundamentais, tutelados pela Constituição”.

É o que revelou à agência Fides Pe. Benny Suseyto, secretário executivo da Comissão para o Ecumenismo e Assuntos Inter-religiosos da Conferência Episcopal da Indonésia.

Recentemente, radicais do FPI (“Front Pembela Islam” – Front Islâmico de Defesa) instituíram “corpos de guarda” em respostas às supostas “conversões em massa” promovidas pelos cristãos. Na cidade de Bekasi, nas proximidades da capital Jacarta, circulam grupos de militantes com uniformes militares – vistos com apreensão pela comunidade cristã local.

No período de 2009-2010 foram registrados ao menos seis episódios de ataques contra igrejas ou instituições cristãs.

Há poucos dias, foi realizado em Bekasi um congresso com a participação de mais de 200 representantes de grupos islâmicos radicais, entre os quais o “Bekasi Movement Against Apostates” (“Movimento de Bekasi Contra os Apóstatas”) e o “Islamic Ummah Forum”.

O tema central do evento era “o alarmante fenômeno da cristianização, que ocorre não apenas em Bekasi com em toda a Indonésia”, conforme teria dito em seu discurso Habib Rizieq, líder do FPI, segundo reportou a agência Fides.

Em uma declaração conjunta divulgada ao final do congresso, os líderes exigiram das autoridades públicas “que governem de acordo com os princípios do Islã e da sharia”, lançando ainda um apelo a todas as mesquitas de Bekasi para que “façam frente ao processo de cristianização”.

Até o momento, segundo precisou Pe. Benny Suseyto, “não há notícias de violências contra os cristãos”; aparentemente, os grupos islâmicos radicais quiseram “fazer uma advertência”.

Para o sacerdote, na raiz do problema estariam “tensões criadas por alguns pregadores cristãos, com frequência não identificados com nenhuma Igreja, que criam problemas com seu proselitismo exasperado”.

Com relação à liberdade de atuação de grupos radicais como o FPI, o secretário comentou que “existe um problema interno à polícia, onde há apoiadores destes grupos. Além disso, não lhes falta apoio também na esfera política”.

A Comissão Nacional de Direitos Humanos - um órgão estatal – declarou publicamente que o FPI esteve de fato envolvido em alguns incidentes recentes, e que a polícia teria sido “negligente”.

Pe. Emmanuel Harjito, sacerdote da diocese de Jacarta e diretor das Pontifícias Obras Missionárias na Indonésia, disse à agência Fides que grupos radicais como o FPI estariam “tirando proveito da debilidade do governo central, acometido por escândalos de corrupção, com desdobramentos políticos, econômicos e militares”.

“O próprio governo os teme e se permite influenciar”, acrescentou, referindo-se aos movimentos fundamentalistas.

Pe. Ignazio Ismartono SJ, responsável pelo “centro de gerenciamento de crises” da Conferência Episcopal, explicou à Fides que a postura da Igreja é de “não reagir às provocações dos radicais”, buscando sempre “a comunhão ecumênica, a plena harmonia e a colaboração com outros líderes religiosos, incluindo os muçulmanos”.

Para o Pe. Suseyto, o FPI é “um grupo minoritário, que busca fomentar as tensões e o ódio inter-religioso, manipulando a população. O verdadeiro Islã indonésio é aquele moderado”.

“As grandes organizações muçulmanas, como o ‘Nadhlatul Ulama’ – que conta com 60 milhões de aderentes – e o ‘Muhammadiyah’, com 40 milhões, sempre se mostraram pacíficas e abertas ao diálogo” – explicou Pe. Suseyto. “Com eles defendemos a ideia de uma nação inspirada nos cinco princípios do Pancasila (filosofia política do país) e comprometida com o respeito recíproco entre todas as comunidades religiosas”.