Igreja não é organização de sacerdotes, afirma cardeal

D. Odilo Scherer convida leigos a contribuir na edificação do mundo pluralista

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SÃO PAULO, quarta-feira, 24 de novembro de 2010 (ZENIT.org) – No Domingo de Cristo Rei, Dia Nacional do Leigo, foi encerrado o 1º Congresso de Leigos da Arquidiocese de São Paulo. O evento, aberto em janeiro, envolveu o laicato sob o tema “Cristãos leigos, discípulos e missionários de Jesus Cristo na cidade de São Paulo”.

Segundo o arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer, um dos frutos do congresso “é uma nova tomada de consciência sobre quem é a Igreja e quem são os cristãos leigos”.

“Existe uma ideia errônea sobre a Igreja, como se ela fosse uma organização de sacerdotes e profissionais da religião, que oferecem produtos a pessoas interessadas, à semelhança de outras organizações do mercado”, afirma o cardeal, em artigo desta semana no jornal O São Paulo.

“Infelizmente, tal noção pode penetrar também no interior da própria Igreja: nesse caso, os leigos seriam uma espécie de fregueses e consumidores dos produtos dessa organização.”

“É uma caricatura e um modo absolutamente inadequado de pensar ou falar da Igreja e dos leigos. A Igreja é um ‘Mistério de fé’, uma comunhão de pessoas congregadas em nome de Deus e animadas por seu Espírito”, afirma Dom Odilo.
 

O cardeal explica que, “pela graça do Batismo, os cristãos leigos tornaram-se membros da Igreja, Corpo de Cristo; são participantes, a pleno título e dignidade, do Povo de Deus, membros da família de Deus, filhos e filhas muito queridos de Deus, por meio de Jesus Cristo”.

“Os leigos também receberam a abundância dos dons do Espírito de Deus e participam, de diversos modos, da missão da Igreja: anunciar o Evangelho, servir os irmãos na caridade e santificar o mundo, testemunhando a vida nova do reino de Deus.”

Segundo Dom Odilo, outro fruto do congresso “é a percepção boa de que já existem muitos leigos ativos na vida e missão da Igreja”.

“Queira Deus que, daqui por diante, surjam muitas outras agregações, grupos, associações de leigos, também voltadas para profissionais e agentes sociais de diversas áreas e competências na vida social, ou no serviço público. As organizações laicais são uma riqueza na vida da Igreja e dinamizam a sua missão”, considera.
 

O cardeal Scherer assinala ainda outro fruto do congresso: “a tomada de consciência de que o cristão leigo precisa ser, antes de tudo, um discípulo de Jesus Cristo”.

“Os cristãos leigos são convidados a conhecer melhor a própria fé e a Igreja de Cristo, da qual são parte, para identificar-se com ela e amá-la, como se ama a própria mãe. Precisamos retomar a formação cristã e a experiência séria e profunda da vida cristã na Igreja.”

Segundo Dom Odilo, os leigos, “de acordo com sua competência própria e conforme a área de sua atuação no mundo, também precisam conhecer melhor a Doutrina Social da Igreja, a Antropologia e a Moral cristã”.

“Sem isso, nada eles terão de próprio para contribuir na edificação do mundo pluralista, que precisa da contribuição de todos. Temos muito de bom para contribuir”, afirma.

(Alexandre Ribeiro)