Igreja tem de propor um «cristianismo de autenticidade»

Presidente do episcopado de Portugal comenta desafios

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LISBOA, terça-feira, 4 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- Diante da realidade de um Portugal «menos cristão», a Igreja no país terá de propor «um cristianismo de autenticidade, radicalismo e fidelidade», afirma o presidente da CEP (Conferência Episcopal Portuguesa). 

Dom Jorge Ortiga reafirmou a Agência Ecclesia a preocupação manifestada por ele há um ano, momentos antes da visita ad limina apostolorum, de que se percebe um país «menos cristão» do que no passado, «embora ainda tenhamos muitos sintomas de religiosidade popular». «Apesar de menos cristão, nota-se uma procura do religioso», afirmou em entrevista.

De acordo com o arcebispo de Braga, a Igreja «terá de trabalhar um pouco melhor para propor uma mensagem cristã com outra eloquência e com outra capacidade de convicção».

Sobre o aspecto pastoral, Dom Jorge Ortiga comentou que, «na era da globalização, temos de estar sempre atentos e percorrer os caminhos do mundo de hoje para uma pastoral de resposta aos problemas e não apenas uma pastoral tradicional».

O arcebispo reconheceu que o mundo passa por uma «crise com contornos universais a que a sociedade também não foge».

«No entanto, olhando para o nosso contexto concreto e situando-nos nas responsabilidades concretas, penso que estamos numa sociedade com intenções boas e interessantes, mas os resultados ainda são um pouco insignificantes.»

«Refiro-me à igualdade entre todo e qualquer cidadão e às situações que, hoje, se vão agravando de portugueses que vivem privados do essencial», acrescentou.

Diante da realidade de crise, o arcebispo pediu uma participação mais efetiva da sociedade. 

«O grande problema da sociedade portuguesa está na alergia em participar. As pessoas habituaram-se e estão de olhos fechados. Em certas conversas e ocasiões abordam os problemas concretos, mas depois continuam com os mesmos hábitos e rotinas.»

De acordo com o arcebispo, muitas vezes as pessoas «não são capazes de participar ativamente na sociedade para que o país seja diferente».

«Fala-se do desemprego, do encerramento de empresas, dos assaltos que proliferam todos os dias, todavia ficam passivas.»

«Perante uma situação grave é fundamental unir todos os portugueses, para além de interesses partidários ou ideológicos. Temos um novo modelo de sociedade e encontrar caminhos para lhes dar respostas», afirmou.

No entanto –prossegue Dom Jorge Ortiga–, «os nossos políticos discutem questões fracturantes e que dividem os portugueses. Essas questões interessam a grupos pequenos de portugueses. Neste hora e neste momento era fulcral que os políticos se concentrassem a encontrar soluções que nos preocupam».