Igreja trabalha para que não se repitam “horríveis crimes” de abusos

Padre Federico Lombardi encontra um grupo de vítimas

| 936 visitas

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 3 de novembro de 2010 (ZENIT.org).- O Papa Bento XVI, a Santa Sé e a Igreja trabalharão para “fazer tudo o que for necessário para que os horríveis crimes de abusos sexuais não aconteçam”.

Assim se manifestou o padre Federico Lombardi, S.J., diretor da Agência de Informação da Santa Sé, numa carta escrita e entregue por ele no último domingo aos responsáveis por um grupo de vítimas de abusos sexuais de membros do clero, presentes em Roma para uma manifestação no Castel Sant'Angelo.

O padre Lombardi encontrou-se com uma representação de oito pessoas do grupo Survivor's Voice,na sede da Rádio Vaticano, próxima ao Castel Sant'Angelo.

Na carta, como informa o L'Osservatore Romano, o porta-voz vaticano lembra que “a Igreja fez e está fazendo muito. Não somente o Papa com suas palavras e com seu exemplo, mas também muitas comunidades da Igreja em várias partes do mundo” trabalham “tanto na escuta das vítimas como na prevenção e na formação”.

Federico Lombardi reafirma que os abusos sexuais, sobretudo de menores, constituem “uma das grandes chagas do mundo de hoje” e que “afetaram e afetam a Igreja católica”, mas que o que aconteceu na Igreja “é uma pequena parte do que ocorreu e ocorre no mundo”.

Por isso, “a Igreja deve, em primeiro lugar, livrar-se do mal e dar bom exemplo da luta contra os abusos dentro da instituição”, mas depois “todos devemos combater, sabendo que é uma chaga generalizada, que acontece mais quando permanece escondida e, inclusive,  muitos se alegram pelo fato da atenção concentrar-se atualmente na Igreja, porque podem continuar cometendo delitos sem ser incomodados”.

Esta batalha, acrescenta, deve ser travada juntos, unindo forças contra esse crime que hoje "utiliza meios e vias novas para difundir-se, facilitado pela  internet e novas formas de comunicação, devido à crise das famílias, ao turismo e tráfico sexual que exploram a pobreza das pessoas em distintos continentes”.

O porta-voz vaticano conclui sua carta desejando que o que a Igreja está aprendendo e as iniciativas que emprega para “purificar-se e converter-se em um lugar modelo de segurança para os jovens” possa “ser útil para todos”, convidando as vítimas a ver na Igreja uma aliada e não uma adversária.

Os participantes da manifestação organizada pela Survivor’s Voice eram dezenas, procedentes de vários países. Depois da reunião no Castel Sant’Angelo, fizeram uma procissão com velas até a Praça de São Pedro.

Alguns manifestantes expressaram críticas à postura da Igreja, afirmando querer pedir que o Papa atue com maior decisão e faça com que os bispos denunciem os sacerdotes acusados de pedofilia.