Igrejas atacadas por terroristas: são alvos fáceis

Dom Darmanin, bispo de Garissa, comenta os atentados no Quênia

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ROMA, quarta-feira, 4 de julho de 2012 (ZENIT.org) - “Não acredito que seja um problema religioso, e sim uma reação contra o governo de Nairóbi por causa do exército queniano, que está agindo na Somália contra os shabaab”, afirma dom Paul Darmanin, bispo de Garissa, Quênia, onde homens armados, provavelmente fundamentalistas islâmicos somalis do grupo shabaab, atacaram duas igrejas no último domingo, uma das quais a catedral católica.

Dom Darmanin descreveu os ataques para a agência Fides: “No dia 1º de julho, às 10h30 da manhã, eles jogaram duas granadas de mão contra a igreja de Nossa Senhora da Consolação. Elas explodiram bem na frente da igreja, não dentro dela, deixando alguns feridos leves. Na igreja da African Inland Church, o ataque foi muito pior. Os terroristas mataram dois soldados que tomavam conta da igreja e jogaram algumas granadas de mão dentro dela, onde os fiéis estavam reunidos para a celebração. O objetivo era fazer os fiéis correrem para fora e depois disparar contra eles com os AK-47 dos soldados. Foi um ataque bem organizado, que deixou pelo menos 16 mortos e muitas outras pessoas gravemente feridas”.

O bispo acredita que a pista mais provável é a política: “Os shabaab tinham ameaçado fazer represálias por causa das operações do exército do Quênia, que está agindo desde outubro de 2011 na Somália. Agora que o exército de Nairóbi aumentou a pressão em Chismaio, que era o último bastião dos shabaab no sul da Somália, eles fizeram novas ameaças de atentados no território do Quênia”.

“Garissa não fica longe da fronteira com a Somália”, continua dom Darmanin. “A fronteira pode ser cruzada facilmente, mesmo com o governo fazendo o possível para controlá-la”.

A respeito da causa destes ataques contra as igrejas e se a motivação é política, o bispo de Garissa respondeu que “as igrejas são atacadas porque são alvos fáceis. Além disso, a população local é quase totalmente muçulmana. Os cristãos são quenianos de outras partes do país, que são considerados como estrangeiros por uma parte da população local”, explicou Darmanin, que pediu as orações de todos pela paz no país.

(Trad.ZENIT)