Índia: menina identifica parlamentar como assassino de seu pai

Impune em grande parte a onda de violência anticristã de 2008

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ROMA, quinta-feira, 18 de março de 2010 (ZENIT.org).- No Estado indiano de Orissa, uma menina identificou um parlamentar como assassino de seu pai, uma das vítimas do massacre anticristãos perpetrados por fundamentalistas hindus em 2008. A vítima podia escolher entre negar sua fé ou morrer.

Uma menina de seis anos identificou Monaj Pradham, membro da Assembleia Legislativa de Orissa, como o assassino de seu pai, torturado e depois massacrado na onda de violência, segundo informa a Englises d’Asie (EDA), agência de Missões Exteriores de Paris.

Lipsa Nayak e sua mãe formavam parte das centenas de testemunhas, citadas pelos dois tribunais especiais estabelecidos em Orissa, para julgar os assuntos relacionados com os ataques contra os cristãos. Quando o juiz lhes pediu se poderiam identificar o assassino de seu pai, a pequena indicou Monoj Pradhan, um líder do Bharatiya Janata Party (BJP, Partido do Povo Indiano), vitrine dos nacionalistas hindus.

A mãe da menina explicou à Corte que seu marido havia fugido para a floresta com sua família, mas que um grupo o pegou. A jovem viúva de 25 anos contou que ele reagiu com calma e determinação, quando lhe falaram para renegar sua fé cristã ou morrer. “Atormentaram-no durante alguns dias antes de esquartejá-lo e queimá-lo com querosene”, informou, acrescentando que sua filha tinha então quatro anos e foi testemunha do crime.

Em uma audiência que aconteceu dia 12 de março, os advogados de defesa e o fiscal submeteram a menina a um interrogatório que durou 90 minutos, perguntando-lhe sobre as pessoas que ela viu matar seu pai e sobre o local do crime. “Respondeu a todas suas perguntas sem hesitar”, declarou um advogado assistente do fiscal à agência Ucanews, Me Raj Kishore.

Majoj Pradhan, membro do BJP, representa o distrito de Kandhamal na Assembleia de Orissa. Foi acusado de ser um dos principais instigadores das violências de 2008, e deveria responder por novas acusações, entre elas 14 incêndios criminosos, saques e uma dezena de mortes. Preso em 2008, foi apresentado às eleições de abril-maio de 2009 e foi eleito ao parlamento de Orissa. Após sair da prisão em julho, foi nos meses seguintes exonerado de todas as acusações pelas Cortes Especiais da Justiça de Orissa, “por falta de provas suficientes”.

“Há uma menina que encontrou coragem de testemunhar contra o que representa o poder político”, disse Me Raj Kishore. Seu exemplo “deveria incentivar outros a testemunhar diante da Corte e permitir que se faça justiça”, acrescenta.

O padre Manoj Kumar Nayak, que é da mesma aldeia, também espera que o testemunho da menina permita trazer por fim justiça às vítimas. O sacerdote católico afirma que o parlamentar Manoj Pradhan faz parte das 307 pessoas exoneradas por falta de suficientes testemunhos pelas Cortes Especiais de Justiça.

Segundo ele, a maior parte dos suspeitos não foi conduzida perante um Tribunal e nem presa.