Inteireza deve pautar a vida de cada pessoa, diz arcebispo

Segundo Dom Walmor Oliveira de Azevedo, falta de inteireza fere todo tecido social

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BELO HORIZONTE, domingo, 10 de junho de 2007 (ZENIT.org).- Segundo o arcebispo de Belo Horizonte, cada pessoa é chamada a viver em seu cotidiano a inteireza, para construir uma sociedade mais justa e humana.



«A inteireza que deve definir a conduta própria da dignidade humana. A inteireza que desenha no horizonte da comunidade o sentido de sua existência e o alcance de sua tarefa ao congregar homens e mulheres, dando-lhes um autêntico sentido para viver e promover a vida», afirma Dom Walmor Oliveira de Azevedo.

Em artigo difundido pela arquidiocese de Belo Horizonte essa semana, o arcebispo comenta que a falta desta inteireza «se revela de mil modos na composição volátil e líquida da contemporaneidade, enquanto se constata a dificuldade de se pautar a vida pela força ética de valores que a preservam».

Dom Walmor afirma que a falta desta inteireza «se revela nas escolhas que alimentam as razões de grupos e pessoas que pensam os funcionamentos e as instituições como lugar e condição de respostas aos interesses da classe, a manutenção das benesses e o ganho de direitos, mesmo em detrimento de outros, companheiros da mesma sociedade, privados, no entanto, do que é básico».

«É a falta desta inteireza que permite a formação de quadrilhas e cartéis, envolvendo tantos nos quais se deposita uma confiança incondicional, traídos que são por ganâncias inescrupulosas. Um veneno que entra fácil e corrompe em razão das fendas existentes, por não ser inconsútil o próprio coração e a cultura vigente na sociedade que se freqüenta.»

Segundo o arcebispo, urge recompor a inteireza», a condição inconsútil da «comunidade, sociedade, o coração de cada pessoa». «Eis um empreendimento que não se alcançará com pouca coisa. Requer um algo mais profundo. Uma resposta urgente.»

«Urgência que precisa ser acelerada pela escuta do clamor dos pobres e sofredores. Uma escuta que só faz quem aprende a se colocar no lugar do discípulo, abandonando a soberba da indiferença e a intolerância na defesa mesquinha dos próprios interesses», afirma.

De acordo com o arcebispo, este é o serviço que a Igreja Católica compreende como sua missão. «Ela sabe a gravidade de sua responsabilidade na oferta desta dinâmica que tem força para recompor a inteireza de uma cultura, de condutas e dos funcionamentos na sociedade.»

«Uma proposta que não se esgota nas estratégias administrativas, embora tão fortes, em si mesmas muito frágeis. Nem mesmo bastam as conquistas e avanços científicos. É preciso a recuperação de valores numa atitude corajosa de comprometimento num pórtico de muitas e fundamentais opções», afirma.