Intervenção da Santa Sé na ONU sobre conflito de Gaza

Dom Tomasi expressa a condenação de «toda violência» por parte da Igreja

| 906 visitas

GENEBRA, segunda-feira, 12 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Oferecemos a seguir a intervenção de Dom Silvano Tomasi, Observador Permanente ante a ONU, na sexta-feira passada, 9 de janeiro, na Sessão Especial do Conselho dos Direitos Humanos da ONU sobre a situação dos Territórios Palestinos Ocupados e da Faixa de Gaza. 

* * *

Senhor presidente: 

A Delegação da Santa Sé quer expressar sua solidariedade ao povo de Gaza, que está morrendo e sofrendo pelo assalto militar em curso por parte das Forças Israelenses de Defesa, como ao povo de Sderot, Ashkelon e outras cidades israelenses que estão vivendo sob o terror constante de ataques com mísseis lançados por militantes palestinos desde a faixa de Gaza, e que causaram vítimas e feriram muitas pessoas.  

Os patriarcas e os líderes das igrejas de Jerusalém estabeleceram no domingo passado um dia de oração, para que se ponha fim ao conflito em Gaza e que se restabeleçam a paz e a justiça na Terra Santa. Estão convencidos de que a continuação do derramamento de sangue e da violência não conduzirá à paz e à justiça, mas alimentará mais o ódio e a hostilidade e, portanto, um contínuo confronto entre os dois povos. Estes líderes religiosos fazem um convite a ambas as partes para que recobrem o sentido e cessem os atos de violência, que só trarão a destruição e a tragédia. Instam, ao contrário, a trabalhar para resolver suas diferenças por meios pacíficos e não violentos. 

O Santo Padre Bento XVI sublinhou no domingo passado que a negativa do diálogo entre as partes levou a indizíveis sofrimentos a população de Gaza, vítima do ódio e da guerra. 

Senhor presidente, é evidente que as partes não são capazes de sair deste círculo vicioso de violência sem a ajuda da comunidade internacional, que deve cumprir suas responsabilidades, intervindo ativamente para deter o derramamento de sangue, para facilitar o acesso de assistência humanitária de emergência e colocar fim a toda forma de confronto. Ao mesmo tempo, a comunidade internacional deve continuar participando na eliminação das causas profundas do conflito, que só pode ser resolvido no marco de uma solução duradoura do conflito palestino-israelense, sobre a base das resoluções internacionais aprovadas ao longo dos anos. 

Quero concluir com as palavras que o Papa Bento XVI pronunciou ontem, durante a reunião anual com os diplomatas acreditados na Santa Sé: «Mais ma vez quero reiterar que as opções militares não são a solução e que a violência, venha de onde vier e seja qual for a forma que adotar, deve ser firmemente condenada. Quero expressar minha esperança de que, com o decisivo compromisso da comunidade internacional, restabeleça-se a trégua na faixa de Gaza, condição indispensável para o restabelecimento de algumas condições de vida aceitáveis para a população, e que as negociações de paz se reiniciem, com a rejeição do ódio, dos atos de provocação e do uso das armas». 

Obrigado, senhor presidente.

[Traduzido por Zenit]