Intervenção da Santa Sé na ONU sobre os anciãos

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CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 5 de outubro de 2005 (ZENIT.org).- Publicamos a seguir a intervenção que o observador permanente da Santa Sé na ONU, o arcebispo Celestino Migliori, pronunciou essa terça-feira em Nova York no curso da terceira Comissão da 60ª Sessão da Assembléia Geral da ONU sobre o ponto 63: “Seguimento ao ano internacional de pessoas mais velhas: Segunda Assembléia Mundial sobre o envelhecimento”. O texto foi difundido pela Santa Sé esta quarta-feira.




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Senhor Presidente,

Três anos atrás, em Madri, a Santa Sé descreveu os anciãos como “os guardiões da memória coletiva, conservadores dos relacionamentos entre as gerações e transmissores dos valores autênticos que definiram sua existência”. Mas precisamos nos lembrar que estes nobres sentimentos permanecerão palavras vazias se lembramos dos anciãos somente quando precisamos deles. O fato de que as pessoas agora vivem mais tempo requer uma reavaliação do papel dos anciãos na sociedade e no processo de desenvolvimento. Seria bom, entretanto, criar uma gama de oportunidades para fazer uso do potencial, experiências e especialidades das pessoas mais velhas. Esta aproximação e esta atitude possibilitarão a eles continuar conectados na sociedade e continuar a fazer uma marca no mundo, seja por voluntariado ou trabalho. Também, e talvez mais importante, estabelecer um ambiente para os anciãos começando da simples e contínua apreciação de sua presença por sua própria família prevenirá sua exclusão.

Em muitas sociedades, o cuidado de indivíduos dependentes e doentes é realizado por pessoas mais velhas, particularmente mulheres. Neste contexto, é importante que a viabilidade e o acesso a cuidados de saúde básica para pessoas mais velhas sejam integrados com um longo processo de desenvolvimento, com um foco em sua necessidade médica específica e nutrição adequada.

Enquanto é verdade que a proteção social dos anciãos é uma responsabilidade principal dos Governos e instituições privadas, a Santa Sé reafirma o importante papel também da família em sua segura compreensão da saúde, tanto mental, física e espiritual.

Por esta parte, a Santa Sé oferece seu suporte às pessoas idosas através de vários programas de assistência. No presente, Agências Católicas e organizações em todos os continentes cuidam de idosos em mais de 13.000 lugares, incluindo mais de 500 centros na África, 3.000 na América e 1.400 na Ásia.

Senhor Presidente, enquanto os programas sociais de seguros e benefícios médicos são essenciais, minha delegação ressalta aqui a importância da compaixão, do amor, do respeito, da apreciação e dedicação para com os idosos. Encorajamos os Governos a ensinar nas escolas estes valores que respeitam os anciãos, membros da sociedade civil para que os exercitem em casa e que estes valores sejam continuamente promovidos na mídia.

Serviços de suporte social são uma extensão do dever comum de prover para os membros mais velhos da família que são negligenciados, para reduzir o impacto da globalização e fragmentação da família. Em países menos desenvolvidos onde o serviço informal e a pobreza coexistem, o nível nutricional dos idosos está freqüentemente em risco por causa da pobreza, responsabilidade de sustentar os netos, morar sozinhos e uma grande variedade de dificuldades relacionadas à idade. Uma pensão social básica e a proteção dos direitos de pensão são caminhos importantes para alcançar e manter os idosos.

A transição demográfica projetada demonstra um aumento dramático em números de anciãos para 2050, mostrando a transição de um regime de alta fertilidade e alta mortalidade a baixo crescimento populacional, ambos em países desenvolvidos e em desenvolvimento. De acordo com as estatísticas, hoje há mais de seiscentos milhões de pessoas que estão acima dos sessenta anos de idade, e é estimado que em 2050 eles serão mais de três vezes este número. É também calculado que em 2030, 71% desta população anciã viverá em países em desenvolvimento e entre 12% e 16% estarão em países desenvolvidos.

Estas tendências nos ensinam duas coisas: primeiro, que todo país deve se tornar e manter, como a Reunião de Madri 2002 disse, “uma sociedade para todas as idades” e segundo, que cuidados extras podem ser aconselháveis quando políticas internacionais e fiscais entram no reino da engenharia humana.

Obrigado, senhor Presidente.


[Traduzido por Zenit]