Intervenção de Bento XVI no Ângelus da Imaculada

Falsos modelos de felicidade destroem a esperança dos jovens

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CIDADE DO VATICANO, domingo, 9 de dezembro de 2007 (ZENIT.org).- Publicamos a intervenção que Bento XVI pronunciou ao meio-dia deste sábado, solenidade da Imaculada Conceição, diante de milhares de peregrinos congregados na Praça de São Pedro, no Vaticano.

 

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Queridos irmãos e irmãs:

No caminho do Advento, brilha a estrela de Maria Imaculada, «sinal de esperança e consolo» (Concílio Vaticano II, constituiçãoLumen gentium, 68). Para chegar a Jesus, luz verdadeira, sol que dissipou todas as trevas da história, precisamos ter perto de nós pessoas que sejam um reflexo da luz de Cristo e que dessa forma iluminem o caminho que devemos percorrer. E que pessoa mais luminosa que Maria? Quem melhor que ela pode ser para nós a estrela da esperança, a aurora que anunciou o dia da salvação? (cf. encíclica Spe Salvi, 49). Por este motivo, a liturgia nos convida a celebrar hoje, ao aproximar-se o Natal, a festa solene da Imaculada Conceição de Maria: o mistério da graça de Deus envolveu, desde o primeiro instante de sua existência, a criatura destinada a converter-se na Mãe do redentor, preservando-a do contágio do pecado original. Ao contemplá-la, reconhecemos a altura e a beleza do projeto de Deus para cada homem: chegar a ser santos e imaculados no amor (cf. Ef 1, 4), à imagem do nosso Criador.

Que grande dom é ter Maria Imaculada como mãe! Uma mãe resplandecente de beleza, transparente ao amor de Deus. Penso nos jovens de hoje, que cresceram em um ambiente saturado de mensagens que propõem falsos modelos de felicidade. Estes garotos e garotas correm o risco de perder a esperança, pois freqüentemente parecem órfãos do verdadeiro amor, que confere significado e alegria à vida. Este foi um tema muito importante para meu querido predecessor João Paulo II, que tantas vezes propôs Maria à juventude do nosso tempo, como «Mãe do belo amor».

Muitas experiências nos mostram lamentavelmente que os adolescentes, os jovens e até as crianças são vítimas fáceis da corrupção do amor, enganados por adultos sem escrúpulos que, mentindo para si mesmos e para eles, atraem-nos aos becos sem saída do consumismo: inclusive as realidades mais sagradas, como o corpo humano, templo de Deus do amor e da vida, tornam-se dessa forma objetos de consumo. E isso cada vez mais rápido, já desde a pré-adolescência. Que tristeza é ver os meninos e meninas perderem a maravilha, o encanto dos sentimentos mais belos, o valor do respeito ao corpo, manifestações da pessoa e do seu insondável mistério!

Maria, a Imaculada, nos recorda tudo isso; nós a contemplamos em toda a sua beleza e santidade. Na cruz, Jesus a confiou a João e a todos os discípulos (cf. Jo 19, 27), e desde então ela se converteu para toda a humanidade em Mãe, Mãe da esperança. A ela dirigimos com fé a nossa oração, enquanto visitamos espiritualmente Lourdes, onde precisamente neste dia começa um ano jubilar especial, por ocasião do 150º aniversário das sus aparições na gruta de Massabielle. Maria Imaculada, «estrela do mar, brilhai sobre nós e guiai-nos em nosso caminho» (encíclicaSpe Salvi, 50).

Tradução realizada por Aline Banchieri

© Copyright 2007 - Libreria Editrice Vaticana