"Ir às ruas se manifestar é um valor em si"

Coletiva de imprensa na sede da CNBB

Brasília, (Zenit.org) Thácio Siqueira | 553 visitas

Às 13h30 dessa tarde de sexta-feira, a Presidência da CNBB, composta pelo seu presidente, Cardeal Dom Raymundo Damasceno Assis, e o secretário Geral, Dom Leonardo Ulrich Steiner, em uma coletiva de Imprensa, fez público o pronunciamento oficial da Conferência Episcopal sobre as manifestações populares que estão acontecendo em todo o Brasil.

No momento de perguntas dos jornalistas ali presentes, ZENIT dirigiu a seguinte pergunta à Presidência: “Ir às ruas é um valor em si mesmo ou é importante ir às ruas com um objetivo em comum, sabendo o que exigir e pedir? Porque notamos uma grande variedade de questões sendo protestadas”.

“Ir para às ruas se manifestar é um valor em si” afirmou o secretário Geral da CNBB, Dom Leonardo Steiner.  “Não existe uma pauta. Começou no início com os 20 centavos, mas depois todos nós percebemos que se tratava de muito mais. Embora é fundamental que o cristão, o católico, participe, seja ativo politicamente”.

“O que incomoda muita gente – continuou Dom Leonardo - é que não há uma pauta de reivindicações. Isso incomoda algumas pessoas e inclusive trazem interrogações para alguns analistas políticos”.

“Mas nós, na nossa reflexão- destacou o secretário Geral - achamos que é importante que o jovem e a sociedade se manifestem”, porque “no meio há manifestações muito fortes contra a corrupção, a PEC 37, tirar do poder público a possibilidade de investigação” e que são “alguns elementos importantes para a nossa sociedade”.

Tomando a palavra, o cardeal Dom Raymundo Damasceno, presidente da CNBB, continuou a resposta à essa pergunta dizendo: “A violência, a educação, a saúde... aparecem elementos aí que devem fazer refletir. É aquilo que eu dizia, são sinais que nós estamos vendo, que surgiu de uma maneira espontânea, que foi crescendo...”

Nesse meio – continuou o cardeal – “talvez haja pessoas que se juntem a essas manifestações por outros interesses, mas se vê que não há uma bandeira político – partidária conduzindo tudo isso. Pelo contrário, dá a impressão de que a maioria está rejeitando a presença de grupos que aparecem filiados a determinados partidos”, disse.

O cardeal convidou-nos a parar para ouvir o que os manifestantes têm a dizer. “É uma manifestação muito mais espontânea... precisamos ouví-la, perceber o que quer nos dizer... acho que essa é a grande sabedoria. E isso nos dá justamente elementos para a reflexão, para a mudança de atitudes, de comportamento, mudanças do enfoque político, das políticas públicas. Acho que isso é fundamental, entende?”

“E é claro que são vários temas” – enfatizou o cardeal. Por isso mesmo “quem está mais diretamente envolvido nesses temas tem que refletir e pensar o que está fazendo nessa área, chame-se educação, saúde, segurança, violência, corrupção...”.

"Então - concluiu o cardeal - são elementos que estão aí e talvez muito dispersos, mas que aparecem com certa frequência, e afetam a vida das pessoas. E as pessoas estão querendo um outro estilo de sociedade onde todos tenham garantidos seus direitos, sua igualdade, sua dignidade. Nós desejamos que seja assim. Esse é o objetivo fundamental”.