Iraque: ajuda de emergência para os cristãos refugiados

Organização Ajuda à Igreja que Sofre age em meio à instabilidade provocada pela queda de Mossul na mão de extremistas islâmicos

Roma, (Zenit.org) Redacao | 352 visitas

Os ataques do grupo terrorista ISIL no Iraque provocaram a fuga dos 3 mil cristãos de Mossul, um dos núcleos cristãos mais antigos de toda a história do cristianismo. Por isso, a organização Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) enviou uma primeira ajuda de emergência de 100 mil euros aos cristãos que tentam escapar do ataque, acontecido neste mês de junho.

No dia 5, supostos partidários da organização terrorista ISIL (Estado Islâmico do Iraque e do Levante, na sigla em inglês) começaram a tomar a segunda maior cidade do Iraque. A metade da população, e, no meio dela, todos os habitantes cristãos, teve de fugir. O ISIL continua avançando pelo Iraque e invadindo outras cidades.

De acordo com informações do arcebispo caldeu de Mossul, Emil Shimon Nona, todos os cerca de 3 mil habitantes cristãos de Mossul abandonaram a cidade assim que os ataques começaram. Eles se refugiaram, em sua maioria, nos vilarejos da planície de Nínive, que fica próxima da cidade. A Igreja alojou os refugiados provisoriamente em escolas, salas de catequese e casas abandonadas. O arcebispo afirmou ainda que "não se sabe se as famílias poderão algum dia voltar para Mossul".

A ajuda de emergência serve para atender as primeiras necessidades dos refugiados, que deixaram todos os seus pertences em Mossul. Há relatos de que alguns cristãos retornaram à cidade, mas a maioria das famílias tem medo e continua nos alojamentos provisórios. O arcebispo Shimon Nona informa que mil famílias refugiadas estão sendo atendidas atualmente.

Regina Lynch, diretora de projetos da AIS, explica: "Nós nos sentimos muito unidos a esta Igreja porque compartilhamos o seu calvário e as suas preocupações desde 1983. Estes sofrimentos sem fim são uma ferida aberta para nós. Queremos que os cristãos do Iraque saibam, mais do que nunca, que os cristãos do resto do mundo não os deixam sozinhos, mas rezam por eles e os ajudam na medida do possível".

A Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) é uma fundação da Santa Sé, promovida pelo papa Pio XII e iniciada pelo pe. Werenfried van Straaten em 1947, para ajudar pastoralmente a Igreja que sofre perseguição em qualquer parte do mundo. O contexto da criação da AIS foi a Guerra Fria e as perseguições soviéticas à Igreja. Hoje, a organização conta com escritórios em 17 países e desenvolve projetos em 140 nações. Durante os últimos cinco anos, a Ajuda à Igreja que Sofre destinou 2,4 milhões de euros para iniciativas em favor dos cristãos perseguidos no Iraque.