Iraque: Estado Islâmico pede 35 milhões dólares para a liberação de irmãs sequestradas

Na região leste fora de Mosul, os fieis escavam poços para cristãos e muçulmanos. A comunidade Siro-ortodoxa decidiu transferir as relíquias atribuídas a São Tomé

Roma, (Zenit.org) Redacao | 449 visitas

35 milhões dólares é o preço de resgate que as milícias qaedistas do Estado Islâmico pediram para a liberação das duas irmãs cristãs sequestradas no dia 28 de junho em Mosul, na província de Nívine, no norte do Iraque. Em um comunicado, o arcebispo caldeu, Dom. Shimon Amel Nona, confirma a notícia, informando que "tentou várias vezes intervir através dos líderes religiosos locais e dos chefes das tribos de Mosul". De momento, no entanto, "essas tentativas não chegaram a bom termo”.

Mons. Nona disse à agência Asia News que realizou nesses dias uma longa viagem pela diocese, especialmente no leste, em uma paróquia fora de Mosul, onde estão refugiadas cerca de 500 mil pessoas, entre cristãos e muçulmanos, que fugiram após o ataque do insurgentes sunitas.

"É realmente uma fonte de grande tristeza ver as condições de vida das pessoas, dos refugiados. Falta água e eletricidade, a situação é dramática”, comentou o prelado. Depois relatou que “a Igreja está construindo alguns poços para extrair água do subsolo"; até agora foram feitos "pelo menos oito"; no entanto, estes não são suficientes para atender as necessidades de todos, mesmo que "é melhor do que nada". A electricidade - acrescentou Nona - é distribuída "de duas a quatro horas por dia, para o resto se tenta fazer o possível, graças ao uso de geradores".

Os poços de água escavados pela comunidade local "são usados ​​por todos os habitantes, muçulmanos e cristãos, sem distinção de qualquer espécie", disse o bispo, acrescentando que o trabalho da Igreja "não é apenas para os cristãos, mas para todos os habitantes, para os muçulmanos e para os membros de outros grupos étnicos".

Nessas horas – lembra Asia News - o Patriarca da Igreja Caldéia Mar Louis Raphael I Sako deixou Bagdá em direção a Bruxelas, onde se reunirá oficialmente com o Conselho dos Bispos da Europa e com o Parlamento Europeu para discutir a situação do país e possíveis intervenções para conter a "emergência, especialmente as relacionadas com os refugiados e prófugos.

Enquanto isso, o Estado Islâmico do Iraque e do Levante Isis (formação sunita jihadista já ligada à Al-Qaeda) tomaram o controle de uma velha fábrica de armas químicas. A notícia vem de fontes oficiais em Bagdá, em uma carta para as Nações Unidas em que admitem que não são capazes de cumprir a promessa de destruir as armas químicas.

O clima de terror imposto pelos rebeldes convenceu os líderes da comunidade Siro-ortodoxa local a colocar em segurança também as relíquias atribuídas a São Tomé, até então veneradas na igreja da cidade dedicada ao Apóstolo. Já desde o 17 de junho, o relicário foi transferido para o mosteiro siro-ortodoxo dedicado a São Mateus, fora de Mosul.

A cerimónia para a deposição das santas relíquias na nova sede foi celebrada por Mar Nichodimos Dawood Saraf, arcebispo siro-ortodoxo de Mosul, relata Fides. A intercessão de São Tomé Apóstolo é invocada pelas comunidades siro-ortodoxas de todo o mundo para pedir que o povo iraquiano seja poupado de mais sofrimento. (Trad.T.S.)