Iraque: não haverá Missa do Galo

Catequeses suspensas, igrejas sem decorações natalinas

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BAGDÁ, quinta-feira, 23 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) – Depois do atentado da catedral de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e do contínuo assassinato de cristãos, não haverá Missa do Galo em Bagdá, Mossul e Kirkuk.

O anúncio foi feito pelo arcebispo dos caldeus de  Kirkuk, Dom Louis Sako, num testemunho publicado dia 20 de dezembro pela agência Asianews.

“Por razões de segurança – explicou – as igrejas não terão decoração e as missas serão celebradas somente de dia”.

O arcebispo iraquiano destacou que “um estado de tristeza e de luto” reina entre os cristãos.

“Há uma grande preocupação com o futuro dos jovens, que há dois meses não podem ir à universidade – continuou –. O mesmo estado de ânimo afeta as numerosas famílias refugiadas no norte, obrigadas a pensar no futuro sem basear-se em nada concreto”.

“Do governo não se espera nada tranquilizador com relação à defesa dos cristãos: os líderes estão muito ocupados na formação de um novo governo”, lamentou.

Em seu testemunho, Dom Sako se referiu à vida em Kirkuk, onde a “segurança é um pouco melhor que na capital”, apesar de que continuam os sequestros e as ameaças.

“Por isso decidimos, pela primeira vez desde o início da guerra, há sete anos, não celebrar a missa durante a noite”, explicou.

“Não haverá festa: não haverá Papai Noel para as crianças, não haverá cerimônia de felicitação oficial com as autoridades”.

“Há seis semanas que não celebramos a missa por falta de segurança”.

“De momento, suspendemos também a catequese. Não temos direito de colocar a vida das pessoas em risco”.

“Os cristãos são um objetivo fácil. Mas, apesar de tudo, para este natal, rezaremos pela paz. Ajudaremos as famílias pobres de Kirkuk e de Soulaymania: até agora chegaram 106 famílias de Bagdá e Mossul”, explicou.

Em referência à homilia que pronunciará no dia de Natal, o bispo iraquiano afirmou: “insistirei nos problemas, nos enfrentamentos e medos dos homens na terra, onde,  apesar de tudo, o Natal  traz uma mensagem de esperança”.

“Para nós, iraquianos, a esperança e a alegria do Natal estão relacionadas com a dor e o martírio”, disse.