Iraque: uma catástrofe humanitária e com sério risco de genocídio dos cristãos

Apelo urgente do Presidente da Assembleia dos bispos católicos do Iraque, o patriarca Louis Raphael Sako

Roma, (Zenit.org) Redacao | 789 visitas

A situação no Iraque tornou-se uma catástrofe humanitária e o risco de um genocídio cristão é mais que iminente.

A maior cidade cristã na planície de Nínive, Quaraqosh, caiu nas mãos do EIIL (Estado Islâmico do Iraque e do Levante) e as pessoas estão em fuga. Esta é a sede da arquidiocese Siro Católica de Mossul, onde está o seminário católico sírio e onde se tornou também a casa mãe de várias congregações religiosas, que não podiam mais ficar em Mossul, por razões de segurança.

Já não é "mais uma questão "religiosa", mas contra uma religião concreta: os cristãos", alerta Dom Duarte da Cunha, secretário geral do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE).

Publicamos na íntegra o apelo urgente do Presidente da Assembleia dos bispos católicos do Iraque, o patriarca Louis Raphael Sako.

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Apelo do Patriarcado caldeu pedindo ajuda urgente

Os militantes atacaram com morteiros a maioria das aldeias da planície de Nínive, durante a noite de 6 e 7 e agora estão controlando a área. Os cristãos, cerca de cem mil, horrorizados e em pânico, fugiram de suas aldeias e casas sem nada, só com as roupas do corpo. Um êxodo, uma verdadeira via crucis, os cristãos estão andando a pé no calor do verão escaldante do Iraque para as cidades curdas de Erbil, Duhok e Soulaymiyia, entre eles estão doentes, idosos, crianças e mulheres grávidas. Passam por uma catástrofe humanitária que corre o risco de se tornar num verdadeiro genocídio. Precisam de água, comida, abrigo...

Em relação às igrejas e propriedades da igreja nas aldeias agora ocupadas pelos militantes EIIL, temos relatos de destruição e profanação. Os antigos manuscritos e documentos (1500) estão sendo queimados.

Como é evidente para todos, o Governo Central é incapaz de fazer cumprir a lei e a ordem nesta parte do país. Há também dúvidas sobre a capacidade da região do Curdistão de defender sozinha o avanço feroz dos jihadistas. Claramente, há falta de cooperação entre o Governo Central e o Governo regional autônomo. E o Isis se beneficia desse "vazio" para impor a sua regra e terror. Há uma necessidade de apoio internacional e de um exército profissional, bem equipado. A situação vai de mal a pior.

Apelamos com tristeza e dor para a consciência de todos e todas as pessoas de boa vontade e as Nações Unidas e a União Europeia, para salvar essas pessoas inocentes da morte. Esperamos que não seja tarde demais!

Card. Loius Raphael Sako, Patriarca de Babilónia dos Caldeus