Iraque vai às urnas em meio a jornadas sangrentas

Série de atentados deixou mais de 50 mortos nos últimos dias

Roma, (Zenit.org) Redacao | 380 visitas

Pouco antes de os iraquianos irem às urnas para as suas eleições parlamentares, uma dupla explosão causou 11 mortes e deixou vários feridos num mercado ao nordeste da capital. É o episódio mais recente de uma longa sequência de ataques que precederam a primeira eleição parlamentar desde a retirada das tropas dos EUA em 2011.

Dom Shlemon Warduni, bispo auxiliar de Bagdá dos Caldeus, disse à Rádio Vaticano que "as eleições são o evento mais importante para o país" neste momento, mas ocorrem numa situação muito difícil por causa dos atos terroristas.

"Todos querem paz e segurança para que as eleições sejam realmente boas e fáceis para o povo iraquiano. Esperamos que se aprenda com toda esta experiência negativa, para podermos chegar a um momento bom e positivo para a nação".

Testemunhas locais afirmam que os ataques são uma tentativa dos militantes islâmicos radicais de dissuadir os eleitores de votar, informou a agência Asianews.

O ataque de ontem aconteceu na cidade de Al-Saadiyah, a 140 km de Bagdá. A primeira bomba foi colocada no centro do principal mercado de frutas e verduras e a segunda foi posta perto de uma das saídas. Segundo a agência de notícias, "não há reivindicação oficial de autoria por enquanto, mas parece provável que os autores estejam vinculados a uma facção da Al-Qaeda afim ao movimento sunita, que vem tentando deslegitimar o governo central iraquiano composto em grande parte por xiitas, maioria no país".

Outras 25 pessoas mortas e 36 feridas foram o saldo da autoimolação de um terrorista suicida em um pequeno povoado do Curdistão iraquiano.

O patriarca caldeu Raphael I Mar Louis Sako vem condenando a violência, que afeta principalmente a minoria cristã: "Os cristãos são os que mais sofrem com o recrudescimento da violência em todo o Iraque, porque não mantêm filiações tribais como os árabes muçulmanos. A única maneira que os cristãos têm de resolver as disputas é o sistema legal iraquiano, frequentemente criticado pela corrupção e sujeito à manipulação política".

Passaram de 50 os mortos em ataques contra centros eleitorais em diversas partes do país no dia em que, antecipando-se ao voto oficial, as forças de segurança foram às urnas para a renovação do parlamento, dois dias antes da população civil. Foram cerca de um milhão os representantes da polícia que exerceram o direito ao voto, junto com os residentes no exterior. A população civil vota hoje.