Irlanda: bispos e manifestantes se mobilizam pelo direito à vida

O episcopado pede que os representantes públicos "defendam o direito igual e inviolável de todos os seres humanos à vida

Roma, (Zenit.org) Redacao | 374 visitas

Os bispos irlandeses se mobilizam contra a legalização do aborto: "A vida humana deve ser respeitada e protegida de forma absoluta desde o momento da concepção". Em declaração publicada a favor da vida, eles afirmam que "o Evangelho da vida está no centro da mensagem de Jesus, que veio para que tenhamos vida e vida em abundância (Jo 10,10). O Evangelho nos desafia a trabalhar por um mundo em que sejam respeitadas a dignidade e a beleza de cada vida humana".

O texto lembra que "o direito à vida é fundamental em comparação com todos os demais direitos, porque é o fundamento de todos eles. Nenhum indivíduo tem direito a destruir a vida e nenhum Estado tem o direito de vulnerar o direito à vida".

O governo da Irlanda vem propondo uma legislação sobre o aborto que acarreta uma mudança profunda na cultura da prática médica irlandesa. Pela primeira vez, a legislação do país permite a eliminação deliberada e intencional de uma criança não nascida. "É radical. Todos os cidadãos, não só as pessoas de fé, têm que ficar muito preocupados", advertem os bispos, que também valorizam, na declaração escrita, o papel dos profissionais da saúde, que ajudaram a fazer da Irlanda um dos países mais seguros do mundo para as mães e para os seus bebês durante a gestação.

O projeto de lei do governo de Enda Kenny permite a prática do aborto para mulheres cuja vida corra perigo ou que sejam propensas ao suicídio. A proposta gerou protestos massivos nas últimas semanas. "A legalização da destruição direta e intencional da vida de um bebê antes de nascer não pode ser descrita como salvação de vidas", afirma o comunicado episcopal.

Sobre a proposta desta lei, os bispos afirmam que, "conforme aprendemos de outros países, esta legislação abre a porta para uma disponibilidade cada vez mais ampla do aborto".

Mencionando a liberdade de consciência, os bispos irlandeses acrescentam que esta "é um direito humano fundamental. Um Estado que respeita a liberdade também respeita a consciência dos seus cidadãos, incluindo os seus representantes públicos, num valor humano tão importante como o direito à vida".

“Fazemos um apelo aos cidadãos para exercerem o seu direito de manifestar as suas opiniões aos nossos representantes públicos e não deixarem nenhuma dúvida sobre a sua posição a este respeito”.

O episcopado pede que os representantes públicos "defendam o direito igual e inviolável de todos os seres humanos à vida, mesmo que isto signifique posicionar-se acima de outras pressões e compromissos de partido".

Os bispos também convidam os sacerdotes e os fieis a rezarem a prece “Escolher a vida”, na missa e em casa, para que a dignidade e o valor de toda vida humana continuem sendo defendidos no país.

O texto voltará à Câmara Baixa do parlamento irlandês no próximo dia 11 de julho para ser votado, explica Reilly, ministro irlandês da saúde.

Atualmente, o aborto na Irlanda é ilegal, exceto em caso de risco de vida da mãe.