Irmã Ana Rosa, prima do papa: sempre nos pediu para orar por ele

Entre os milhares de fiéis reunidos na praça a prima do papa também emocionada por poder acompanhá-lo num dia como hoje

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Rocio Lancho García | 1221 visitas

Ao término da missa do início de pontificado do papa Francisco, ZENIT falou com Ana Rosa, da congregação das Filhas de Maria Auxiliadora, salesiana de Dom Bosco, uma prima do papa Francisco; a mãe de Bergoglio e o pai da irmã Ana Rosa eram primos. A religiosa é missionária na Tailândia e conta que “ali eram as duas da manhã quando ficamos sabendo da notícia e eu pensei: Sim? Sério? Foi muito emocionante."

"Deu uma linda mensagem de esperança e chamou para trabalhar pelos que mais precisam do serviço da Igreja. Quem mais tenha e quem mais possa que se misture mais com quem mais precisa, que é muito importante”. Um gesto muito significativo, comenta a irmã, foi que convidou o chefe dos “cartoneros”. Os “cartoneros”, explica, são pessoas que catam papel e derivados do papel pelas ruas e os reciclam para conseguir algo de dinheiro. A irmã Ana Rosa, que conhece pessoalmente o papa, contou que “é uma pessoa muito humilde e muito austera. Quando estamos com ele, estamos em família. Sempre que vou a Buenos Aires da Tailândia faço-lhe uma visita. Hoje tive ocasião de falar com ele e fiquei sentada do lado do altar”, afirma ainda emocionada. “Quando o papa me viu me disse “o que você está fazendo aqui? Você veio!". Lembra que quando criado Cardeal também veio toda a família da Argentina e ela da Tailândia. Nesta ocasião também a família quis acompanhá-lo neste momento importante para ele, “vieram a cunhada e 18 entre sobrinhos e sobrinhos netos”.

A irmã também conta que Franscico é muito familiar. “Sempre que nos encontramos fala: Ana Rosa reze por mim. Também faz rezar as irmãs mais anciãs”. “Sim desde antes ele pedia, ainda mais agora, para rezar por ele”.

Duas mulheres argentinas que estão com ela contam a casualidade de estar aqui com uma viagem organizada há tempo. No momento em que soubemos que o cardeal Bergoglio era o novo papa, ainda no seu país, ligaram entre si para compartilhar a alegria do momento. “Chorei de emoção”, diz uma delas, “na verdade nós não o esperávamos”. Quando escutei que o nome que tinha escolhido era Francisco, me emocionei mais ainda - continua a sua amiga - meu filho e meu pai também se chamam assim! Eu neste dia – continua – tocava o céu com as mãos”. Nestes primeiros dias, afirmam “o papa marcou tendência, o vemos muito humilde”.

Centenas de fiéis juntaram-se hoje ao papa Francisco na missa de início do ministério petrino do bispo de Roma na solenidade de São José. Estima-se que entre 150.000 e 200.000 pessoas estiveram presentes na Praça de São Pedro e arredores. A chuva assinou uma trégua e deixou que o sol brilhe durante toda a celebração da Eucaristia.

Uma cerimônia repleta de símbolos e gestos que foi acompanhada pela emoção dos presentes. O papa apareceu na praça em torno das 8h50 encima de um jeep branco descoberto e cumprimentando o povo reunido para a Eucaristia. Com um gesto alegre e levantando o polegar em algumas ocasiões em gesto de aprovação e proximidade. Em certa ocasião aproximaram-lhe uma criança pequena que beijou com ternura e poucos minutos depois desceu do automóvel para beijar um doente que estava na primeira fila atrás de uma das cercas.

Além dos fiéis na praça, o Papa Francisco também contou com a companhia de representantes de outras religiões, outros ritos cristãos, e delegações de 134 países. Bandeiras de todos os países e cartazes de diferentes movimentos, paróquias e grupos coloriam a praça.

Um casal argentino, de Rosario, se afasta de São Pedro ao finalizar a eucaristia com a bandeira do seu país nos ombros. Vieram à Roma com o propósito de acompanhar o papa neste dia tão especial. Reconhecem que sentiram uma emoção indescritível quando souberam da notícia de que o cardeal Bergoglio tinha sido eleito novo papa. “É um presente para o mundo, não só para os argentinos", diz a mulher. "Estes primeiros dias do papa estão marcando um caminho, está mostrando sinais do que será o seu pontificado e acreditamos que vai continuar neste caminho, não vai ser fácil mas vai conseguir. Por isso viemos, porque confiamos nele", disse o marido.

Um grupo de religiosas do Verbo Encarnado, uma congregação argentina. Moram na Itália e vieram à missa porque estão muito felizes com o papa e quiseram acompanhá-lo. Nos comentam que sentiram uma grande alegria ao saber da notícia, ainda que, a princípio quase não podiam acreditar. "Estamos muito felizes e rezaremos muito por ele para que seja o melhor para a Igreja”, afirmaram.

Mauro, também argentino, tinha viagem programada há muito tempo porque sua filha mora aqui e vinha visitá-la. Sobre o papa Francisco comenta que “é excepcional como pessoa, terá muito êxito e é perceptível como as pessoas se aproximaram mais da Igreja com esse papa que é tão próximo a todos”. Os primeiros dias do papa, continua, “foram maravilhosos com uma perspectiva de futuro grandiosa da raiz católica”. Este papa revela “irmandade, fraternidade, amizade e fé, muita fé." Reconhece que recebeu a notícia com grande alegria, mas também com o choque inicial e que é muito gratificante.

Dois jovens espanhóis, estudantes Erasmus em Roma, reconhecem a emoção que sentiram para viver este momento histórico. Contam que também estiveram na praça na terça-feira e na quarta-feira passada esperando a fumaça branca, e também o viveram com muita emoção. Sobre o papa dizem que “nota-se que é um homem muito humilde”, e que o demonstrou com gestos como o manter a cruz que usava como cardeal.