Itália: profunda dor do cardeal Bagnasco pelo sacerdote pedófilo

Riccardo Seppia, preso por pedofilia e oferecer drogas

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ROMA, segunda-feira, 23 de maio de 2011 (ZENIT.org) – “Profunda dor": Estes são os sentimentos expressos na última quinta-feira pelo cardeal Angelo Bagnasco, arcebispo de Gênova e presidente da Conferência Episcopal Italiana, na homilia realizada no Santuário de Nossa Senhora da Guarda, em Gênova, durante o Dia de Santificação dos Sacerdotes, referindo-se ao pároco de Sestri Ponente.

Trata-se de Riccardo Seppia, preso em 13 de maio por pedofilia e por oferecer drogas. De acordo com informações das assessorias de imprensa, algumas de suas supostas vítimas confessaram aos magistrados milaneses terem mantido relações sexuais completas com o padre. Estas declarações estão sendo verificadas pela procuradoria de Gênova.

Assim que a notícia se tornou pública, a cúria arcebispal emitiu um comunicado expressando a "total confiança" do cardeal Bagnasco nas investigações dos magistrados, além de sua "solidariedade fraterna às eventuais vítimas e suas famílias" e "uma renovada solidariedade à comunidade cristã, que está sendo posta à dura prova".

O comunicado também destacou que, "em conformidade com a disciplina canônica e em especial com as diretrizes da Congregação para a Doutrina da Fé, dispõe-se, com relação ao sacerdote, a suspensão de todo ministério pastoral e de todo ato sacramental, além da revogação imediata da faculdade de ouvir as confissões sacramentais".

Em sua homilia, o cardeal falou da "dor por todas as formas de pecado e do mal que, se realmente foi cometido por nosso irmão, desfigura a beleza da alma, escandaliza as almas e fere o rosto da Igreja".

"Nossa dor - continuou ele - é muito profunda, pelo caráter imprevisto e inesperado dos fatos, pois nada parecia pressagiá-los. Queremos confiar a Nossa Senhora todos os que sofreram o escândalo de qualquer maneira e transmitir-lhes a nossa proximidade humilde e sincera."

"Per crucem ad lucem, diz a fé pascal: e nós acreditamos, pastores e fiéis, que a provação e os sentimentos de tristeza nos conduzirão a reflexões importantes sobre o caminho de conversão necessário para todos, que implacavelmente desafia os discípulos de Cristo, todos os verdadeiros ministros de Deus."

"Como filhos dóceis - continua o arcebispo de Gênova -, peçamos à Virgem Maria que possamos ter a coragem da verdade, de examinar-nos no profundo para cantar as obras do Senhor, porque o amor do Senhor é fiel e eterno, como diz o salmo que acabamos de rezar: Ele nunca nos abandona, está sempre conosco, quando lhe abrimos espaço em nossos corações."

"Mas também - sublinhou - para reconhecer as sombras que temos de excluir, a doblez que é preciso enfrentar, é necessário cuidar da sensibilidade espiritual, para que não diminua; da oração diária, como diz a Igreja; da confissão sacramental regular e frequente - lugar de liberdade e regeneração; da vida fraterna”, para “ajudar-nos na fidelidade à vocação, sem reticências, e chegar a ser santos”.

"Aqui, aos pés da grande Mãe de Deus, fazemos nossas as palavras do Beato João Paulo II, que confiou a si mesmo, seu sacerdócio, a Ela com as palavras de S. Luís Maria Grignon de Montfort: Totus tuus o Maria!", concluiu.