Jerusalém: Francisco se encontra com religiosos, religiosas, sacerdotes e seminaristas

O papa afirma que "quando tudo é escuridão no Gólgota e toda esperança parece apagar-se, só o amor é mais forte do que a morte"

Jerusalém, (Zenit.org) Redacao | 354 visitas

Nesta última jornada de sua viagem à Terra Santa, o papa Francisco se reuniu com sacerdotes, religiosos, religiosas e seminaristas que representavam uma centena de congregações. O encontro aconteceu na igreja do Getsêmani, junto ao Horto das Oliveiras, confiada à Custódia da Terra Santa. Ao chegar à igreja, às 16h15 do horário local (10h15 em Brasília), o Santo Padre foi recebido com entusiasmo, entre fortes aplausos e gritos de “viva o papa”. Francisco se dirigiu até o altar para venerar a Rocha Santa, onde, segundo a tradição, Jesus se recolheu em oração antes de ser preso e condenado à cruz.

Em seu discurso, o papa recordou que esse lugar santo foi “santificado pela oração de Jesus, pela sua angústia, pelo seu suor de sangue; santificado, sobretudo, pelo seu ‘sim’ à vontade de amor do Pai”. O pontífice explicou que Jesus sentiu a necessidade de rezar e de estar com seus discípulos, seus amigos, "que o tinham seguido e acompanhado mais de perto na sua missão".

Mas, no Getsêmani, "o seguimento de Cristo se torna difícil e incerto, a dúvida se faz sentir, junto com o cansaço e o terror". Durante a paixão de Jesus, "os discípulos adotaram atitudes diversas em relação ao Mestre: de aproximação, de afastamento, de incerteza".

"Quem sou eu diante do meu Senhor que sofre?", perguntou o papa. Sou daqueles que, convidados por Jesus a velar com ele, adormecem e, em vez de rezar, tentam fugir fechando os olhos para a realidade?

“Eu me identifico com aqueles que fugiram por medo, abandonando o Mestre na hora mais trágica da sua vida terrena? Descubro em mim a duplicidade, a falsidade daquele que o vendeu por trinta moedas, que, tendo sido chamado de amigo, traiu Jesus? Eu me identifico com os fracos que o negaram, como Pedro? Eu me pareço com aqueles que já estavam organizando a sua vida sem Ele, como os dois discípulos de Emaús, néscios e míopes de coração para crer nas palavras dos profetas?".

Ou "estou com aqueles que foram fiéis até o final, como a Virgem Maria e o apóstolo João?".

O Santo Padre afirmou que "quando tudo é escuridão no Gólgota e toda esperança parece apagar-se, só o amor é mais forte do que a morte".  É o amor da Mãe e do discípulo amado o que "os leva a permanecer aos pés da cruz, para compartilhar até o fim a dor de Jesus".

O bispo de Roma declarou que "a amizade de Jesus conosco, a sua fidelidade e a sua misericórdia são o dom inestimável que nos encoraja a continuar a segui-lo com confiança apesar das nossas quedas, dos nossos erros e das nossas traições". Esta bondade do Pai, porém, não nos exime da vigilância diante do tentador, do pecado, do mal e da traição.

Observando “a desproporção entre a grandeza do chamado de Jesus e a nossa pequenez”, Francisco destacou que nosso Senhor "sempre nos pega pela mão para que não pereçamos no mar da aflição".

Ao finalizar, o papa disse aos religiosos que "a sua presença é muito importante; toda a Igreja lhes agradece e os apoia com a oração".

O Santo Padre também quis dedicar uma saudação afetuosa a todos os cristãos de Jerusalém: "Eu os recordo com afeto e rezo por eles, conhecendo bem as dificuldades da sua vida na cidade, e os exorto a serem testemunhas valentes da paixão do Senhor, mas também da sua ressurreição com alegria na esperança".

Para encerrar, Francisco nos convidou a imitar "a Virgem Maria e São João ao lado da cruz em que Jesus ainda está crucificado”, pois “não há outro caminho".