Jesuítas debatem futuro das suas comunidades de solidariedade

Como exemplo, a comunidade espanhola de Loiolaetxea

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MADRI, quarta-feira, 28 de novembro de 2012 (ZENIT.org) – De 23 a 25 de novembro, aconteceu em Madri o encontro “Comunidades de Solidariedade: novos estilos de vida comunitária”, que reuniu 24 jesuítas e colaboradores leigos da Europa que vivem em comunidades mistas de jesuítas e laicos. Os não religiosos pertencem a grupos em processo de inserção social, como imigrantes e ex-presidiários. Na última Congregação de Procuradores da Companhia de Jesus, o superior geral insistiu na importância desse tipo de comunidades.

O objetivo da reunião, conforme informado a ZENIT pela Companhia de Jesus na Espanha, foi explicado por José Ignacio Garcia, SJ, coordenador social do CEP (The Jesuit Conference of European Provincials): “O objetivo é compartilhar novos estilos, e nem tão novos, de vida comunitária. Nos últimos anos, nós fomos testemunhas de inovações na maneira de viver em comunidade. Surgiram experiências diversas em várias províncias. Por exemplo, temos as comunidades em que vivem juntos jesuítas, leigos e pessoas em processo de reinserção, que cumpriram penas de prisão, e as comunidades que abrem as portas para jovens imigrantes ou refugiados durante vários meses. As comunidades de inserção também encaram novos desafios interculturais e inter-religiosos. A imagem que obtemos disso é uma constelação de iniciativas que gostaríamos de apresentar e de compartilhar. Também queremos elaborar um documento breve que ajude as províncias no seu discernimento para tomar decisões futuras”.

A iniciativa do encontro surgiu em reunião de delegados sociais das províncias da Europa, em Malta, no mês de abril. Para tornar o encontro ainda mais coerente, ele aconteceu no bairro de Ventilla, em Madri, onde existe uma comunidade em que convivem jesuítas e jovens imigrantes que procuram trabalho ou que recebem algum tipo de formação, a fim de se estabelecerem de forma permanente.

O idioma do encontro foi o inglês, com tradução ao espanhol na maior parte das sessões. No programa, dois painéis de apresentação de experiências de comunidades desse tipo na Espanha, na Bélgica e em Malta. Houve também trabalhos em grupos e, no domingo de manhã, a formulação dos  conteúdos básicos do documento resultante do encontro.

Participaram 24 representantes das províncias jesuítas de Aragão, Bética, Loyola, Tarraconense e Castela, todas na Espanha, além de Malta, Portugal, Croácia, Bélgica Meridional, Itália, Irlanda e Reino Unido. Também estiveram presentes John Dardis, SJ, presidente da Conferência das Províncias Europeias, e Xavier Jeraya, SJ, assistente do Secretariado para a Justiça Social e para a Ecologia, da Cúria de Roma.

Um exemplo: a comunidade Loiolaetxea

A Comunidade Loiolaetxea, do País Vasco, norte da Espanha, explica como é a sua vida: “Somos uma comunidade formada por quatro jesuítas e oito leigos(as), que compartilham a casa e a vida com outras pessoas, a maioria delas com experiência penitenciária, em busca de caminhos novos de inclusão social. Este encontro na diversidade de idades, culturas, religiões e experiências de vida é um presente para todos(as) nós, que vivemos aqui. Por isso, dizemos que quem vem à nossa casa está em casa”.

“As vinte pessoas que formam o nosso grupo se responsabilizam juntas não só pelas tarefas domésticas, pelas compras e pela manutenção da casa, mas, acima de tudo, pelos processos das pessoas, formando um grupo de auto-ajuda em que compartilhamos as nossas aprendizagens e as colocamos a serviço dos outros. Além das refeições, do lazer e do trabalho, nos reunimos algumas vezes por semana naquilo que chamamos de Comunidade Loiolaetxea”.

“Vivemos em San Sebastián e, junto com outras associações, fundações e administrações públicas focadas na inclusão social, participamos da rede de ajuda social da nossa cidade e do território histórico da província de Guipúzcoa. Participamos também de vários grupos de reflexão sobre imigração, processos comunitários e espiritualidade, com companheiros(as) jesuítas e leigos(as) de outros lugares do país”.

 (TRad.ZENIT)