Jesus Bom Pastor: ponto de referência da nova evangelização

Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos se pronuncia na primeira Congregação Geral

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Lucas Marcolivio

VATICANO, terça-feira, 9 de outubro de 2012 (ZENIT.org) - O Ano da Fé e o Sínodo dos Bispos são dois eventos intimamente ligados, e o primeiro terá uma influência muito positiva sobre o segundo. Este é o ponto de vista do Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos, dom Nikola Eterovic, em seu discurso durante a primeira Congregação Geral da XIII Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização, para a transmissão da fé cristã.

Depois de explicar a estrutura do sínodo e a sua longa gênese, Eterovic lembrou que um tema semelhante (A evangelização no mundo moderno, 27 de setembro a 26 de outubro de 1974) já tinha sido objeto de uma assembleia geral ordinária anterior, a terceira após a conclusão do concílio.

Na ocasião, o papa Paulo VI recordou que Jesus "foi o primeiro e o maior de todos os evangelizadores", até o extremo sacrifício na cruz. O denominador comum com o sínodo atual é, portanto, precisamente Cristo, de quem, "em continuidade com os nossos predecessores, nós queremos partir mais uma vez", disse Eterovic em nome dos padres sinodais.

O bispo mencionou em seguida a pintura do Bom Pastor que encontra a ovelha perdida (Lc 15,1-7; Mateus 18,12-14), tal como pode ser contemplada nas catacumbas de Priscila: um ícone em que "percebemos especialmente a alegria do Pastor ao levar a ovelha perdida de volta para o rebanho".

A imagem reproduzida nas catacumbas de Priscila retrata duas ovelhas "fiéis, que sempre permaneceram com o Senhor", e duas árvores verdes, com duas pombas, que carregam no bico dois ramos de oliveira. As referências bíblicas, explicou Eterovic, são à semente de mostarda, que se torna uma árvore forte e robusta (cf. Lc 13,19, Mc 4,31, Mt 13,31), e ao término do dilúvio universal (Gen 8, 11).

O Bom Pastor representado nas catacumbas de Priscila é, além disto, "um exemplo bem sucedido da inculturação da mensagem cristã na cultura greco-romana". Em termos iconográficos, a referência é ao deus Hermes, mais precisamente ao chamado Hermes Crióforo, o portador da água, que carrega nos ombros um carneiro enquanto pastoreia o rebanho. Um sinal de que todas as culturas não-cristãs "devem ser purificadas e elevadas pela Boa Nova do Senhor Jesus, o único Salvador do mundo".

Eterovic lembrou ainda o papel de Maria, invocada pelo papa Bento XVI em Loreto, na última quinta-feira, assim como o papel de todos os santos, que são as ovelhas, que, em primeiro lugar, Jesus conduziu até o abrigo: acima de todos, o beato João Paulo II, "que trabalhou com afinco durante o seu pontificado para prosseguir a nova evangelização e que, do céu, não deixará de acompanhar o nosso trabalho".

O sínodo foi confiado também à intercessão dos novos sete santos que o papa canonizará em 21 de outubro, bem como a São João de Ávila e a Santa Hildegarda de Bingen, proclamados ontem doutores da Igreja.

O objetivo do sínodo, em última análise, é fazer a proclamação de Jesus como o Bom Pastor, que vai em busca das "outras ovelhas" a fim de que todas, ouvindo a sua voz, se tornem "um só rebanho com um só pastor" (Jo 10,16).

(Trad.ZENIT)